<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1480695701371398420</id><updated>2012-02-17T02:04:15.065-02:00</updated><title type='text'>Um Salto para a Eternidade</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://umsaltoparaaeternidade.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umsaltoparaaeternidade.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Eduardo Franciskolwisk</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08218200326693989966</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>23</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1480695701371398420.post-3846124190774307864</id><published>2008-11-11T00:01:00.002-02:00</published><updated>2008-11-11T00:25:28.064-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Um salto para a eternidade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;DEDICATÓRIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para minha mãe – Cristina,&lt;br /&gt;minhas irmãs – Karina e Paula&lt;br /&gt;e minha avó Anna (in memoriam).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eduardo Franciskolwisk&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os direitos reservados a&lt;br /&gt;Eduardo Alves Machado.&lt;br /&gt;Barretos – SP, 2004&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1480695701371398420-3846124190774307864?l=umsaltoparaaeternidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/3846124190774307864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/3846124190774307864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umsaltoparaaeternidade.blogspot.com/2008/11/um-salto-para-eternidade.html' title=''/><author><name>Eduardo Franciskolwisk</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08218200326693989966</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1480695701371398420.post-6002835708505283568</id><published>2008-11-11T00:00:00.000-02:00</published><updated>2008-11-11T00:01:22.189-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 1</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vítor era um homem rico, daqueles que faziam rascunhos em notas de cem reais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Dinheiro é o que não lhe falta – dizia a maioria das pessoas ao passarem em frente da sua casa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Outras pessoas tinham até ilusões ao ver a casa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Olha lá! Está saindo dinheiro da janela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Qual das janelas? Existem tantas... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Aquela ali, no terceiro andar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Nossa!! É mesmo, e são todas notas de cinqüenta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Realmente eram todas notas de cinqüenta, mas como eu já lhes disse, não passavam de ilusões. Houve um dia que Vítor, ao chegar em sua casa na sua linda limusine, leu uma faixa pregada no muro que dizia “Eu também queria ser feliz”. E o homem rico começou a pensar se era ou não era feliz. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele pensou na sua mãe, em seus filhos, em sua mulher que ele amava, em outras mulheres que ele já tinha amado e que ainda amava. Mas em nenhum momento ele pensou nas suas indústrias, ou outros bens materiais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor tinha uma amante chamada Débora. Sua mulher não sabia e nem poderia saber deste caso, era uma coisa extremamente secreta e muito bem escondida. Se a imprensa soubesse, Vítor poderia dizer adeus ao seu casamento com Giovana. E não era isso o que ele queria. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A cabeça de Vítor estava muito confusa, ele não sabia qual das duas era a sua preferida. Ele amava as duas o mesmo tanto e por isso não terminava seu casamento com Giovana. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Este relacionamento “duplo” já estava sendo feito havia dois anos.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor chegou a conclusão de que era feliz. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1480695701371398420-6002835708505283568?l=umsaltoparaaeternidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/6002835708505283568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/6002835708505283568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umsaltoparaaeternidade.blogspot.com/2008/11/captulo-1.html' title='Capítulo 1'/><author><name>Eduardo Franciskolwisk</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08218200326693989966</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1480695701371398420.post-2380170036918578086</id><published>2008-11-10T23:59:00.000-02:00</published><updated>2008-11-11T00:00:19.701-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 2</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Três semanas depois dessa conclusão, Vítor estava em uma de suas indústrias, que estão espalhadas por todo o país. Parecia ser um dia normal. Débora tinha entrado na indústria sem ser vista com o motorista de Vítor e ficou na sala com Vítor durante muitas horas.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que você acha da idéia de nós irmos viajar juntos para fora do país? – perguntou Vítor&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Adorei a idéia, já faz tanto tempo que nós não ficamos sozinhos em um lugar onde não precisamos nos preocupar em sermos vistos  juntos. Um lugar onde ninguém nos conheça. Quando vamos?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Amanhã de noite. Está bem para você?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Claro, para onde vamos?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vamos para um lugar lindo, mas não posso contar senão estraga a surpresa. Vou pedir para o Douglas te pegar na sua casa às cinco da tarde porque o avião sai às sete.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu acho bom explicar que Douglas era o motorista de Vítor e era o único que sabia do romance em segredo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os dois se despediram com um beijo e Débora foi pra casa para se preparar para a viagem. Pouco tempo depois, Vítor saiu da fábrica. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando chegou em casa, após matar a saudade de um dia inteiro separados, Vítor disse sobre a viagem para Giovana:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Amanhã vou para a Inglaterra, hoje me telefonaram e pediram que eu fosse imediatamente até lá. Estão acontecendo alguns problemas e sou eu quem tem de resolvê-los pessoalmente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas e a festa que meus pais darão amanhã a noite? Eles ficarão indignados com a sua ausência. O que eu vou dizer a eles?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Desculpe querida... mas são negócios importantes e não podem esperar. Eu telefono para os seus pais me desculpando e explicando o motivo da minha ausência. Apesar de ficarem aborrecidos, eles entenderão. Negócios são negócios.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Quando você vai e quando você volta? – ela perguntou&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu vou amanha às cinco e volto dentro de uma semana. Mas porque esse interrogatório todo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Posso ir com você? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não!! – Vítor disse se assustando com a pergunta – Não que eu não queira que você vá, mas vai ser uma viagem de negócios e, além disso, só vão homens. E você sabe que eu tenho ciúmes – ele tentou se explicar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Tudo bem, então eu fico, eu acredito em você. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1480695701371398420-2380170036918578086?l=umsaltoparaaeternidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/2380170036918578086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/2380170036918578086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umsaltoparaaeternidade.blogspot.com/2008/11/captulo-2.html' title='Capítulo 2'/><author><name>Eduardo Franciskolwisk</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08218200326693989966</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1480695701371398420.post-2793343763436488326</id><published>2008-11-10T23:58:00.000-02:00</published><updated>2008-11-10T23:59:11.845-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 3</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Depois da conversa, Vítor e Giovana foram para a mesa e jantaram. Não tocaram mais no assunto da viagem. Falaram sobre a festa de aniversário de Carlinhos, um de seus filhos. Carlinhos iria fazer nove anos e os detalhes era escolhido por Giovana e por Cláudia, que era a filha mais velha e que tinha doze anos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Após terminarem os planos para a festa que seria dentro de duas semanas, foram dar uma volta pela cidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Aonde vamos papai? – perguntou Carlinhos &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Hum... Eu vou deixar vocês dois escolherem, mas vocês têm de entrarem em um acordo. Caso contrário sua mãe vai escolher o lugar do passeio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enquanto as crianças escolhiam o lugar do passeio, Giovana perguntou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Por que não podemos ir nós quatro amanhã para a Inglaterra? Eu ainda não entendi.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu não quero que vocês vão porque eu não vou ter tempo de ficar com vocês, vou trabalhar todos os dias que estiver lá. Eu não poderei dar atenção nenhuma para vocês e não é isso que eu quero. Nós podemos ir para a Inglaterra juntos depois do aniversário do Carlinhos. Está bem assim?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Giovana aceitou a idéia, ela chegou a pensar que estava sendo traída por Vítor, mas depois pensou mais um pouco e decidiu que estava imaginando coisas demais e que realmente confiava em seu marido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Queremos ir no parque de diversões – disse Cláudia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O resto da noite foi de pura diversão, tanto para as crianças como para Vítor e Giovana. Todos deram gargalhadas até a hora de dormir. Aquela havia sido uma noite que ninguém esqueceria, e que daria boas lembranças. Lembranças que seriam lembradas com a mesma gargalhada que todos os quatro deram naquela noite.    &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1480695701371398420-2793343763436488326?l=umsaltoparaaeternidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/2793343763436488326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/2793343763436488326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umsaltoparaaeternidade.blogspot.com/2008/11/captulo-3.html' title='Capítulo 3'/><author><name>Eduardo Franciskolwisk</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08218200326693989966</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1480695701371398420.post-8613631997595818938</id><published>2008-11-10T23:55:00.000-02:00</published><updated>2008-11-10T23:57:58.336-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 4</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O telefone tocou eram três e meia da manhã.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Alô – Vítor falou bocejando&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Patrão, aqui é o Douglas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que aconteceu, rapaz? São três e meia da manhã... Liga pra outro. Tem tanta gente que pode resolver os problemas das indústrias e você liga justo pra mim, às três da manhã! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       É que a coisa é grave patrão... A Débora...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que aconteceu com ela? – perguntou saltando da cama.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Ela... ela morreu patrão... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor ficou mudo por alguns segundos. Não conseguia falar nem uma palavra. Ele não sabia se acreditava ou não. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enfim, conseguiu dizer:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Como? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       A casa dela pegou fogo ontem à noite, patrão. O corpo foi encontrado a pouco tempo. Eu estou aqui no orelhão perto de onde ela morava.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu estou indo para aí.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enquanto se vestia, pensava no que tinha acontecido e se perguntava porque isso tinha que acontecer com justo com ele. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que aconteceu? – Giovana perguntou para Vítor quando o viu de roupa as três da manhã.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Depois eu te explico querida, mas não é nada grave, pode voltar a dormir tranqüila. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela, então, voltou a dormir como se nada tivesse acontecido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor pegou as chaves do carro e saiu em disparada em direção à casa de Débora. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Chegou na casa de Débora em poucos minutos. Logo viu a multidão curiosa em saber o que havia acontecido, então ele caiu em si e percebeu que tudo aquilo não era um pesadelo, aquilo era a mais pura realidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu daria tudo para que isso fosse apenas um sonho...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas não era.   &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Logo Vítor encontrou Douglas no meio dos curiosos. Douglas então levou Vítor para ver o corpo de Débora, que estava irreconhecível. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       E se ela não for a Débora? Talvez seja outra pessoa que estava na casa.. Ela não pode ter morrido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor estava chorando e ao escutar o que Douglas disse, ele desmaiou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Patrão, é a Senhora Débora sim, os policiais me confirmaram.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Douglas levou seu patrão para o hospital e Vítor só acordou horas depois.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Onde estou? – perguntou ao acordar para a enfermeira&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você está no hospital, mas não se preocupe porque o senhor já está bom! Poderá sair hoje mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você sabe onde está meu empregado? O nome dele é Douglas. É um homem alto, moreno...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Sei sim, ele está esperando lá fora, vou dizer a ele que o senhor quer vê-lo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Obrigado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E a enfermeira saiu do quarto. Pouco tempo depois entrou Douglas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que aconteceu é verdade? – perguntou Vítor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Sim senhor. O enterro vai ser daqui a duas horas, o senhor vai querer ir?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Porque isso foi acontecer? O que eu fiz de tão ruim para essa vida me dar essa rasteira? -  nos olhos de Vitor tinham lágrimas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       A vida, patrão, às vezes nos dá coisas que nós não merecemos, seja essa coisa, algo bom ou algo ruim. Muitas pessoas têm o prazer de fazer o mal e no entanto sempre possuem os melhores prazeres da vida. E é claro, o contrário também acontece, muitas pessoas boas não possuem nada na vida, às vezes nem o reconhecimento de seu próprio filho. E isso é um sofrimento que elas não merecem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Fica do meu lado? Eu tenho medo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Douglas naquele momento era mais que um empregado, ele era um amigo. Somente os amigos nos apóiam nas horas difíceis da vida. Douglas sempre havia sido um amigo. Os amigos sabem guardar segredo, e nunca pedem nada em troca, se satisfazem somente em ser alguém em quem se pode confiar e nunca, em nenhuma hipótese, passou pela cabeça de Douglas fazer algum tipo de chantagem em relação ao amor secreto de Vítor e Débora. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Naquele mesmo dia, Vítor voltou com Douglas para sua casa e não conseguiu esconder o seu abalo e sua melancolia de Giovana. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que aconteceu, Vítor? Você saiu de madrugada e só voltou agora. Além disso você está muito estranho hoje, é alguma coisa relacionada ao telefonema que fez você sair de madrugada?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor nada respondeu. Ele queria responder, mas havia uma força maior que sua vontade de falar que não o deixava responder para sua mulher. E isso deixou Giovana muito nervosa. Vítor naquele dia não disse mais nenhuma palavra. Ele não foi ao enterro de Débora. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1480695701371398420-8613631997595818938?l=umsaltoparaaeternidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/8613631997595818938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/8613631997595818938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umsaltoparaaeternidade.blogspot.com/2008/11/captulo-4.html' title='Capítulo 4'/><author><name>Eduardo Franciskolwisk</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08218200326693989966</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1480695701371398420.post-5597602766817457409</id><published>2008-11-10T23:53:00.001-02:00</published><updated>2008-11-10T23:55:57.224-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 5</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A viagem foi cancelada e Vítor no dia seguinte ainda estava muito triste com a morte de Débora. E isso não é nenhuma surpresa para nós.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Como eu viverei sem ela?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Era o que Vítor se perguntava o tempo todo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Giovana também se fazia uma pergunta:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que está acontecendo com Vítor? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Apesar de pensar a manhã inteira nessa pergunta, Giovana não falou uma só palavra com Vítor.&lt;br /&gt;Toda a família sentou-se na mesa para o almoço. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não se esqueça da festa de meus pais, será hoje. Eu estou feliz por você ter cancelado a sua viagem – disse Giovana querendo quebrar aquela má situação em que a família se encontrava.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor simplesmente olhou para os olhos de Giovana e deu um sorriso sem graça. E ela teve a certeza de que algo estava errado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois do almoço, Giovana foi para a casa dos pais e seus filhos a acompanharam. Eles iriam ajudar na preparação da festa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor passou a tarde inteira sozinho em sua casa. E ainda se fazia a mesma pergunta. Ele pensava que aquela pergunta ele nunca saberia responder. E então chorou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As pessoas ficam desesperadas quando perdem alguém que amam muito. E nesse momento só o que se tem a fazer é chorar. Chorar pela morte de alguém, não significa que nunca mais veremos a pessoa; significa que vamos encontrá-la num futuro bem próximo, num lugar onde só existe felicidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As pessoas quando choram, não choram por tristeza, elas choram de felicidade, mas poucas sabem disso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E Vítor não sabia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O barulho da porta da frente fez com que Vítor enxugasse as lágrimas. Giovana havia chegado. Com uma energia positiva disse para o marido:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vamos nos arrumar para a festa?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Tudo bem... – respondeu ele com o mesmo desânimo da hora do almoço.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Giovana notou novamente algo errado, mas foi para a festa como se nada tivesse acontecido. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1480695701371398420-5597602766817457409?l=umsaltoparaaeternidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/5597602766817457409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/5597602766817457409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umsaltoparaaeternidade.blogspot.com/2008/11/captulo-5.html' title='Capítulo 5'/><author><name>Eduardo Franciskolwisk</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08218200326693989966</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1480695701371398420.post-6364481885707249085</id><published>2008-11-10T23:52:00.000-02:00</published><updated>2008-11-10T23:53:31.795-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 6</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Durante a festa, Giovana não tirava os olhos do marido. E ele não tirava a cara de babaca sofredor com a qual estava desde a morte de sua amante e nem a sua bagagem do sofá, que estava na sala mais vazia daquela imensa casa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela tentou esquecer durante pouco tempo da existência de Vítor. Mas tudo foi em vão. Então, ela sem pensar, pegou a taça de vinho que passava em sua frente através das mãos do garçom e bebeu. Essa cena aconteceu mais umas seis ou sete vezes. Ela dizia pro garçom:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Parada obrigatória para qualquer tipo de fórmula do esquecimento...  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       A senhora é quem manda, madame!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Giovana tinha razão! Ela havia achado a fórmula do esquecimento. Já não se lembrava do modo estranho que estava o seu marido. Claro que ela não se lembrava! Ela tinha coisa mais importante pra fazer!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Ei, senhor garção! Não fuja de mim... vem cá lindinho... deixa eu pegar mais uma das boas! Não precisa se preocupar, eu não colocarei a honra da senhora garça em risco... – dizia seguindo o pobre do garçom que estava a agüentando já há um tempinho!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela não desgrudava do garçom, onde o pobre homem ia, lá estava “A caçadora de garção”. Assim era como o pessoal da festa a chamou. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor percebeu o que estava acontecendo somente quando o garçom foi servir a sala em que ele estava. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vai uma bebida, senhor?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não – respondeu Vítor olhando para Giovana e se levantando.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele foi em direção de Giovana e a segurou. Viu que ela tinha passado dos limites enquanto ele se preocupava com o que iria fazer da sua vida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Solta-me, o garção está fugindo! – ela reclamava&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       E esse é o fim da  “Caçadora de Garção” – um convidado da festa comentou em sua roda de amigos e todos eles riram. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor colocou as crianças que estavam já dormindo no carro, e fez Giovana entrar também. Ela ainda estava preocupada em caçar garção. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os pais de Giovana ficaram envergonhados com aquela situação. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu nunca imaginei que minha filha fosse capaz disso. – disse a mãe&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Ela nunca fez isso, e tenho certeza que ela está com algum problema e não quis nos contar. – falou o pai. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Deus existe, eu sei que existe! – pensou o garçom, ao ver “A caçadora de garção” entrar no carro e ir embora.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1480695701371398420-6364481885707249085?l=umsaltoparaaeternidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/6364481885707249085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/6364481885707249085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umsaltoparaaeternidade.blogspot.com/2008/11/captulo-6.html' title='Capítulo 6'/><author><name>Eduardo Franciskolwisk</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08218200326693989966</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1480695701371398420.post-872981262534391976</id><published>2008-11-10T23:50:00.001-02:00</published><updated>2008-11-10T23:52:31.462-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 7</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Naquela noite Vítor viu que uma de suas missões era cuidar das pessoas que ele amava, e ele amava sua mulher e seus dois filhos. Decidiu que viveria daquela noite em diante somente para a felicidade de sua família e assim, de sua própria felicidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele dormiu decidido a começar uma mesma vida feliz que ele levava antes da morte de Débora. E ele faria isso sem ela. Estava otimista com a idéia.   &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na manhã seguinte quando Giovana acordou, estava preparada uma mesa deliciosa de café da manhã. E Vítor tinha um sorriso no rosto, dessa vez o sorriso era o sorriso mais bonito que ela já tinha visto em sua vida! Mas a primeira coisa que falou foi:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que aconteceu na festa ontem? Eu não me lembro de nada! A última coisa que me lembro é que eu bebia tentando te esquecer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Porque você estava tentando me esquecer, Gi?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não sei... acho que era porque você estava diferente, você estava muito estranho nos últimos dias... e eu resolvi usar a “fórmula do esquecimento” para esquecer que eu tinha problemas. Eu nunca tinha feito isso na minha vida, meus amigos na adolescência diziam que era bom, que os problemas sumiam rapidamente! E sabe de uma coisa? Funciona, pois eu não me lembro de nada!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu sei que funciona, mas os problemas voltam todos no dia seguinte. E além disso você fica com mais problemas...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que você quer dizer com isso? Eu fiz muita besteira?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não! Você só ficou conhecida na festa como “A caçadora de garção” – Vítor disse rindo. – Você não largava o garçom, ficou a festa inteira atrás dele falando besteiras no ouvido dele! Ele deve ter agradecido a Deus quando viu você saindo da festa. – Vítor deu gargalhadas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Giovana começou a rir também, mas perguntou meio séria:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       E porque você me deixou fazer tudo isso na festa? Você deveria ter feito algo... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu não sabia que isto estava acontecendo, até que você e o garçom entraram na sala em que eu estava. Durante toda a festa eu estava preso nas lembranças do passado e na incerteza do futuro, e isso me fazia ficar um idiota... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Idiota? Um completo idiota! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Se é você quem diz... Mas a sua sorte foi que você estava em família! Todos te conheciam, menos o infeliz do garçom... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Nossa... E meus pais? O que eles falaram? Eles devem estar envergonhados do que eu fiz na festa deles...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       A gente conversa com eles depois... Mas me promete uma coisa?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Nunca mais na sua vida você vai beber como você bebeu ontem! Alguém poderia ter se aproveitado da situação. E se você pegasse o carro estaria correndo risco de vida. E eu não quero te perder!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Está prometido! – disse ela. – Mas eu quero que você me diga o porque que você estava estranho nos últimos dias.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu tenho muito medo de te perder.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas você não vai me perder! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Ninguém pode garantir o futuro, nem mesmo você! Eu te amo!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu também te amo!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os dois se abraçaram. Eles naquela hora tinham aprendido lições diferentes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele chegou a conclusão de que a vida é para ser vivida nos dias de hoje, porém não devemos esquecer do passado e nem deixar de pensar no futuro. Pois as lembranças que ficam na memória das pessoas, são somente as mais belas de toda a sua vida, e o futuro deve ser bem planejado, mas nunca adiantado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E ela pensou nas pessoas que são dependentes de algo que as fazem esquecer da vida e dos problemas. E chegou a conclusão de que somente os covardes fogem de seus problemas, os fortes por maior que seja o problema o enfrentam sem medo algum. E isso, só essa coragem, já é uma grande vitória.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As crianças acordaram e foram até a cozinha, onde tomaram um café da manhã com muita fartura. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1480695701371398420-872981262534391976?l=umsaltoparaaeternidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/872981262534391976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/872981262534391976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umsaltoparaaeternidade.blogspot.com/2008/11/captulo-7.html' title='Capítulo 7'/><author><name>Eduardo Franciskolwisk</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08218200326693989966</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1480695701371398420.post-3929689431511093698</id><published>2008-11-10T23:49:00.000-02:00</published><updated>2008-11-10T23:50:50.295-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 8</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Na semana seguinte, Vítor resolve fazer uma surpresa para Giovana. Comprou flores, bombons e chegou mais cedo em casa, não fez nenhum barulho. Realmente foi uma surpresa! Vítor tinha visto com os seus próprios olhos a traição da mulher e sem que ela percebesse sua presença, saiu da casa com pensamentos horríveis.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que passou na cabeça de Vítor? Claro, matar o amante e a mulher! Nada disso... ele tinha pensando em acabar com a própria vida. Os pneus de seu carro cantaram ao sair em alta velocidade para a sua própria destruição. Ele tinha em mente um prédio abandonado no qual ele brincava quando era criança. Na infância ele e seus amigos achavam que o prédio era mágico. Naquele prédio cada uma das crianças tinha o seu andar, mas o prédio todo era de todos, de todos aqueles que acreditavam na magia que tinha a construção abandonada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em poucos minutos lá estava Vítor de frente ao antigo prédio. O prédio que deveria lembrá-lo dos amigos. Vítor não se lembrava de nada, pensava somente na cena que tinha visto minutos atrás. E caminhou até a entrada do prédio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tudo estava em péssimas condições. Ao subir as escadas, que davam na recepção do prédio, ele sentiu um frio na barriga, pois aquelas escadas eram o início de uma subida que não teria descida, mas sim uma queda. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Finalmente ele entrou. Caminhou lentamente até o elevador, que é claro, estava interditado. No elevador tinha uma placa dizendo “Use a cabeça, use a escada”, Vítor foi então até as escadarias e começou a subir vagarosamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Primeiro degrau, ficou para trás. Segundo degrau, era o qual ele estava no momento. Ao levantar o pé para se elevar ao terceiro degrau  Vitor escutou uma voz.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Vítor? Meu amigo Vítor!! Há quanto tempo nós não conversamos... Por onde você tem andado? Parece que você se esqueceu de mim porque você nunca mais me escutou!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor apesar de ter estranhado a voz, a ignorou. Mas a voz não parava de falar e não se importava em ser ignorada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Ah... que novidade! Você está me ignorando! Saiba que há tempos que você não me tem do jeito que você sempre me manteve. Talvez porque algo errado você fez. Eu tenho certeza que você fez alguma coisa que me transformou nessa coisa gorda que eu sou hoje! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor ainda ignorava a voz. Mas ela continuava, não desistia!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Eu sei que você deve estar pensando “coisa gorda? Se fosse gorda eu já teria visto”. Mas pode desistir de me procurar, porque você não pode me ver, mas você pode me sentir! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Quem é você? – Perguntou Vítor esquecendo por um instante do ocorrido de tempos atrás. – Onde você está?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Quem sou eu? Meu amigo... eu não posso revelar! Mas você pode me chamar de escada, apesar de não se lembrar de mim... escada é só para os mais íntimos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Escada? – Vítor riu cinicamente e continuou – Eu estou falando com uma escada? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Eu diria que sim...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Tudo bem... senhora escada! – riu mais um pouco – Mas me responda uma coisa!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Com muito prazer, sempre estive com você para isso. O problema é que muitas vezes você não me escutou! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Por acaso você está pesada porque eu estou em cima de você?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Não, eu já imaginava que você fosse me perguntar isso! Sempre espero esse tipo de perguntas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Que tipo de pergunta eu fiz?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Do pior tipo... essa é uma pergunta ridícula. Em outros termos, a mais idiota que eu já escutei! – respondeu a escada muito brava.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Ei... você está sendo mal educada! Se você continuar assim, você vai ficar com peso na consciência e nem vai conseguir dormir a noite! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Como você não conseguia quando enganava a sua mulher? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor então caiu em si:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Eu estou falando com a minha consciência? Você é a minha consciência?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Eu sou a sua pesadíssima consciência! E por ser parte de você eu sei porque você está aqui! A sua mulher te traiu! Mas sabe de uma coisa? Não se culpe... eu era amiga da consciência da sua mulher e as coisas lá também não vão muito leves não!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Você quer dizer que a Giovana sempre me traiu?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-          Não sei... isso eu não fiquei sabendo! Eu soube o suficiente para que você me livrasse de um pouco de peso... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Mas eu não quero saber, eu vou lá em cima e vou pular!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Vai fundo! Melhor a morte do que ter que agüentar esse peso que eu venho carregando há anos!  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A escada sabia o que estava falando.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1480695701371398420-3929689431511093698?l=umsaltoparaaeternidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/3929689431511093698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/3929689431511093698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umsaltoparaaeternidade.blogspot.com/2008/11/captulo-8.html' title='Capítulo 8'/><author><name>Eduardo Franciskolwisk</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08218200326693989966</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1480695701371398420.post-2227545185731686471</id><published>2008-11-10T23:47:00.000-02:00</published><updated>2008-11-10T23:49:02.729-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 9</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Enquanto conversavam Vítor tinha subido lentamente as escadas, e já estavam no 1º andar. Vítor avistou uma porta e foi aconselhado a entrar pela escada, ou por sua consciência. A escada esperou em seu lugar de escada como faria qualquer escada. Ele lentamente se aproximou da porta e já não sabia se a chocante cena de sua mulher com outro era real ou se era coisa somente da sua imaginação. Começou a duvidar de seus olhos e ouvidos, enfim começou a duvidar de si mesmo por inteiro depois que conversou com a escada do antigo edifício.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao abrir a porta não viu nada e já ia voltando para trás quando escutou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Entre no apartamento! – gritava a escada para que Vítor a escutasse.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele sem perguntas entrou. Não havia nada no primeiro cômodo, assim como no apartamento inteiro. Ao verificar o último quarto da casa, ele voltou para onde estava a porta e muito bravo com a escada queria tirar satisfações com ela. Quando ia em direção da porta, esta se fechou e não o deixou sair. Isso mesmo... a porta não abria!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         O que é isso? – perguntou para si próprio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Nada – uma voz desconhecida lhe respondeu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Como nada? A porta se fechou sozinha, uma voz que eu nunca ouvi antes está conversando comigo e você só me responde que não é nada! Por falar em você, quem é vc?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Eu não sou nada... Bem, explicando melhor, eu sou o nada...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor riu cinicamente como fez das outras vezes:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Nada? E deixa eu adivinhar, eu sou o único ser humano que teve esse enorme prazer de saber que você existe?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         É eu!! Ops, quero dizer, é nada!! Todo mundo me conhece. As pessoas sempre falam de mim, mas o que eu não gosto é que elas sempre falam “Isso não é nada...” mas na verdade estão falando de mim. Na verdade estão falando assim “Isso é nada..” ou “Isso não é alguma coisa...”. Você entende o que eu quero dizer? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Acho que sim... mas sabe de uma coisa? Eu sempre achei que você não existisse! É uma grande mentirosa a pessoa que responde a alguma pergunta com a palavra nada. Tudo é alguma coisa, é impossível alguém ter o nada nas mãos, porque ninguém sabe o que é o nada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Eu existo sim como você já percebeu. Só que ninguém sabe como eu sou e como você mesmo disse, ninguém sabe o que eu sou. Acho que sou um enigma eterno.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Enigma eterno?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         É, as pessoas não se importam comigo, falam de mim todos os dias e nem se importam se eu existo ou não! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Então me diga como você é?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Esse é o enigma eterno, as pessoas não sabem como eu sou. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Você sabe como você mesmo é?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Sei sim...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Então me diga como você é, eu prometo não contar pra ninguém lá fora. Até porque se eu contasse alguém me colocaria num hospício! Pode confiar em mim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Está bem... Eu conto, mas você tem que  me dizer antes como me imagina!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Apesar de não acreditar na sua existência, eu sempre te imaginei como um lugar onde não houvesse nada, somente um lugar escuro. Posso comparar com o espaço mas sem os planetas, é lógico. E assim que eu te imagino!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Tudo bem... mas se você me imagina assim não está me imaginando. Você não está imaginando o nada, você está apenas imaginando um lugar escuro ou até mesmo o espaço sideral. O nada é o nada, e sempre será assim. Quando descobrirem realmente o que eu sou, eu deixarei de ser o nada porque passarei a ser chamado pelo nome que me colocarem. O nada não é nada! Por enquanto...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Sabe senhor nada? Eu tenho que pular de lá de cima e eu tenho pressa. Você poderia abrir a porta para eu sair?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Você vai pular lá de cima? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Vou&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Porque?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Porque se eu pular lá de baixo eu não posso me estraçalhar lá em cima, entendeu?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Me responde só mais uma coisa. O que você ganha com isso?  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Nada. Agora me responde você só mais uma coisa, o que você quis que eu entendesse dessa nossa conversa toda?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Nada – respondeu-lhe o nada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A porta se abriu e Vítor saiu rapidamente, ele estava bravo mas desta vez era com o nada!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao perceber a fúria de Vítor, a escada, que não podia ficar de bico fechado, logo perguntou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Aprendeu muita coisa com esse papo que você teve agora pouco? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Nada! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Nada é nada, tudo tem de ser alguma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esse pequeno diálogo fez com que Vítor ficasse mais bravo. Claro, tudo era proposital, a escada estava irritando-o para que no andar superior ele pudesse aprender algo que, por mais ridículo que fosse, o fizesse esquecer do ocorrido que o levara estar ali naquele momento. Esse era um dos objetivos da escada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1480695701371398420-2227545185731686471?l=umsaltoparaaeternidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/2227545185731686471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/2227545185731686471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umsaltoparaaeternidade.blogspot.com/2008/11/captulo-9.html' title='Capítulo 9'/><author><name>Eduardo Franciskolwisk</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08218200326693989966</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1480695701371398420.post-3097276620464418733</id><published>2008-11-10T23:43:00.000-02:00</published><updated>2008-11-10T23:47:00.391-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 10</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Obedecendo às ordens da escada Vítor a pisoteava se dirigindo para o próximo andar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que está me esperando lá desta vez? - indagou Vítor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Sei lá! Talvez seja Poseidon, o deus do mar!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não me trate como um ignorante que acredita em tudo o que os outros dizem. Eu não sou estúpido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Chegaram no 2º andar. A porta na qual Vítor deveria entrar se abriu lentamente, tão devagar que ficou difícil perceber que ela se movia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       A porta é toda sua... - disse a escada com ironia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Muito obrigado! - agradeceu Vítor com a mesma ironia e mais um pouco.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sem medo e já acostumado que naquele prédio poderia acontecer  de tudo, desde o possível até o impossível, ele se aproximou da porta, agora já totalmente aberta, e entrou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O apartamento, que parecia ser novo porque tinha muitos móveis e aparelhos modernos, era de muito bom gosto. Vítor logo percebeu o tamanho exagerado da televisão, a pintura do teto que ao ser olhada transmitia a plena sensação de se estar olhando para o céu com a existência até de nuvens e o chão que era feito de um piso frio azul. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Andando devagar e maravilhado com o tubarão empalhado que estava  dependurado na parede, tropeçou e perdendo o equilíbrio caiu no chão de um modo tão engraçado que o peixinho começou a dar gargalhadas, era tanta que ele quase morreu afogado!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como era de se esperar, Vítor se levantou com cara de babaca, aquela mesma cara que todo mundo levanta quando leva um tombaço. Indignado com o riso começou a procurar quem o emitia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Ai, meu Deus, um peixe? Tinha que ser um peixe para caçoar da minha cara? Não poderia ser um bicho que impõe respeito como um  leão, uma onça ou um tiranossauro rex? Não. Um peixe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Algum problema em relação ao meu ser? - quis saber o peixinho segurando o riso para não envergonhar mais ainda o ser humano. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       A sua mãe não te ensinou que é feio caçoar das pessoas? Ainda mais quando acontece uma coisa assim: acidental. - falou o acidentado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O peixinho alaranjado fez cara de triste mas se lembrou do que havia acontecido a poucos minutos atrás e não agüentou, soltou mais uma gargalhada. Vítor ficou muito irritado, chutou com toda sua força o aquário que estava no chão. Foi o suficiente para que o peixe parasse de rir e dissesse em tom sério: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Nunca mais faça isso, meu caro ser humano. Eu posso fazer da sua vida o que eu bem entender. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não pode, não! Acorde para a vida senhor peixe, você é só um peixinho de cor laranja e nada mais. Nem pernas você tem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas pernas não servem para nada, meu caro ser humano!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vejo que você é um peixinho muito burro. - disse Vitor tentando provocar o peixe - É claro que as pernas têm sua utilidade!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Ah... já sei... As pernas servem para os humanos tropeçarem e assim me fazer rir. - e começou a rir de novo.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor perdeu a cabeça e com fúria pegou o remo que estava preso na parede logo abaixo do tubarão empalhado e se preparou para dar um forte golpe no aquário do peixe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vamos ver se depois dessa remada na cartilagem você ainda vai se divertir como antes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Inexplicavelmente caiu um grande e barulhento trovão dentro do 2º andar que o transformou, de uma hora para outra e sem mais nem menos, num oceano. O teto virou céu, o piso as águas e a enorme televisão era agora um pequeno barco. Todos os outros objetos foram submergindo devagar ou rapidamente conforme o seu peso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor também caiu na água com o remo na mão antes de dar a pancada no peixinho. Ele agora, desesperando por estar em alto mar, nadava em direção ao barquinho. Não soltou o remo em nenhum momento, talvez fosse culpa do nervosismo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enfim, chegou ao barco. Era realmente pequeno, mal dava para ele se acomodar lá dentro. Descansou alguns minutos e começou a remar para qualquer direção, não fazia a mínima idéia de onde estava. Apareceu, porém, do meio das águas do mar um homem barbado que carregava um tridente e com ele um golfinho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assustado, Vítor assistiu à tudo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vamos acertar as contas - disse o homem barbado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele tinha voz de peixe e imediatamente Vítor percebeu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Quem é você? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu sou Poseidon, o deus do mar. Talvez agora você me respeite! Caso contrário o seu remo não é páreo para o meu tridente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois de saber que o peixinho era uma divindade Vitor amansou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Como todo bom deus faria eu vou tentar esquecer o que você queria fazer comigo - falou Poseidon se referindo à remada que iria levar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Prometo que o faço conseguir!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Além disso eu estou precisando de uma favor seu!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Tudo o que um deus pede, tem de ser realizado. Você quer que eu sacrifique esse golfinho que está do seu lado?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Nem se Zeus ordenasse você tocaria nesse golfinho!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Tudo bem... não está mais aqui quem disse. O que você quer que eu faça?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não é muito difícil. Graças à você o meu aquário caiu no fundo do oceano e quero que você vá buscá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor sabia que isso era impossível e que morreria no meio do caminho mas não discordou do deus.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Estou indo!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E mergulhou rumo ao fundo do mar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Poseidon, vendo Vítor sumir adentrando as águas, disse ao golfinho:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Como é fácil manipular um humano desse século, fosse um grego antigo já teria me mandado pastar!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Ele parecia ter medo de você, não retrucou uma palavra que você disse depois que soube que você era um deus.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vá auxiliar o pobre homem na busca do meu estimado aquário! - falou Poseidon. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O golfinho que é um dos que forma a constelação de peixes nadou até encontrar Vítor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Olá. Estou aqui para te ajudar a pegar o aquário!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Pegar? Você não pode pegar o aquário com nadadeiras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas eu posso nadar rápido! Por falar em nadar... você não sabe nadar muito bem, não é? - disse o golfinho honestamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Como não? Fique você sabendo que eu peguei primeiro lugar num campeonato de natação que participei! - respondeu Vítor indignado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Na parte com terra da Terra pega o primeiro lugar quem chega por último? - perguntou com humildade o golfinho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor deu um grito e quase que engoliu água.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não!! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Nossa, assim você me assusta! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Então não pergunte besteiras!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Posso fazer uma última pergunta? Eu juro que não é besteira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Tá bom, pode.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Se você, que nada tão mal, conseguiu pegar em primeiro lugar o que aconteceu com os outros competidores? Morreram afogados?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor não respondeu e o golfinho ficou triste porque queria fazer mais uma amizade e não estava conseguindo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Continuaram nadando quietos por muitos litros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Estou perdendo a respiração... - falou baixinho para o golfinho para não gastar muito ar. – Acho que vou voltar! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O golfinho olhou para Vítor e viu que seu rosto estava ficando vermelho e com expressões de desespero. Mesmo assim disse:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você não pode desistir agora, Vítor! Você já nadou bastante. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas eu não sei onde está o aquário. Ele pode estar bem perto ou bem longe... Além disso eu não consigo respirar!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Se você desiste, nunca saberá onde estava o aquário. Longe ou perto ele se torna impossível para você!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       E como eu vou respirar? Estamos no fundo do mar, onde eu vou conseguir oxigênio?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Hum... sei lá... isso é um problema! Durante toda a minha vida de golfinho sempre tive problemas que se resolveram quando eu menos esperava. Se nós estamos correndo atrás de algo que realmente queremos, coisas impossíveis acontecem a nosso favor. Pode demorar, mas acontecem se você nunca desistir!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor estava boquiaberto mas devemos lembrar que o golfinho era do deus Poseidon.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você tem razão - disse Vítor se rendendo às filosofias do golfinho. –  Acho que agüento mais alguns minutos... Vamos continuar!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os dois observaram um navio naufragado mas não deram muita atenção a ele, só pensaram em como o navio era feio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu estou vendo! - gritou o golfinho feliz da vida ao avistar o tão procurado aquário.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Então vamos rápido ou daqui a pouco morrerei afogado!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lá estava o aquário que até então só tinha trazido problemas a Vítor. Ao se aproximarem para pegá-lo Vítor pensou em voz alta:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Se eu gastei todo o meu oxigênio para chegar até aqui, como vou fazer para voltar tudo o que já nadei? Eu vou morrer!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Fique calmo! Lembra-se quando eu disse que coisas impossíveis acontecem quando nós não desistimos do que procuramos? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Lembro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Pois olhe bem para o aquário e verá que ele está de ponta cabeça e em seu interior tem ar. É o suficiente para voltarmos até a superfície.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor enfiou a cabeça dentro do aquário de um modo que não deixasse o ar fugir e respirou. Tempos depois estavam ele e o golfinho entregando o aquário ao deus Poseidon que transformou o mar e o céu naquele belo apartamento no qual Vítor entrara.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Obrigado por me deixar sair com vida, deus Poseidon - agradeceu a bondade do deus.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O deus, que estava em sua forma normal, não falou nada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Obrigado golfinho! Nunca me esquecerei da ajuda que me veio de você!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Foi um prazer! - respondeu o golfinho muito feliz em ter sido reconhecido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor se dirigiu até a porta mais nadando do que andando e saiu do apartamento. Lá fora a escada o esperava para levá-lo ao próximo andar, mas antes perguntou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Como foi?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       É uma história muito grande... você vai ficar curiosa porque eu não vou contar!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nem era preciso! A escada sabia tudo o que acontecia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1480695701371398420-3097276620464418733?l=umsaltoparaaeternidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/3097276620464418733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/3097276620464418733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umsaltoparaaeternidade.blogspot.com/2008/11/captulo-10.html' title='Capítulo 10'/><author><name>Eduardo Franciskolwisk</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08218200326693989966</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1480695701371398420.post-4151775088622627791</id><published>2008-11-10T23:40:00.001-02:00</published><updated>2008-11-10T23:43:23.297-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 11</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O 3º andar foi inacreditável segundo palavras do próprio Vítor. Nunca imaginava ele que algum dia fosse conversar com um criado-mudo. Isso mesmo, eu disse: um criado-mudo! Você, meu leitor, deve estar pensando como pode um simples móvel de uma casa falar? E ainda, para completar, é um móvel mudo! Eu explico: nem tudo é o que parece ser!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       E lá vamos nós de novo para dentro do apartamento! - comentou Vítor meio completamente desanimado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Nós? Graças a Deus é só você! - a escada riu e depois continuou - Acho que você não vai demorar muito, afinal você vai falar com um criado-mudo! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor, sem fazer muita cera, entrou no apartamento que nem sala tinha, já começava no quarto onde tinha um armário, uma cama e o tão falado criado-mudo. Ele olhou cada um dos três móveis com detalhes e todos tinham a aparência de normais, inclusive o criado que foi o último a ser analisado por ele. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tão pouco tempo de convivência Vítor sentiu que queria tocar naquele pequeno móvel e assim o fez. Deu algumas alisadas e abriu duas das três gavetas que existia no criado-mudo, ambas estavam vazias o que levou Vítor a achar que a terceira também estaria. De repente, na primeira gaveta, se abriram dois olhos, das partes laterais do criadinho nasceram braços e seus pés que antes eram somente apoio agora eram peças importantes para locomoção. E ao abrir e fechar a gaveta do meio, a única não aberta por Vítor, ele ouviu o seguinte som:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Oiii! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O coração de Vítor foi parar na boca e ele ficou imóvel por ter visto algo que até exato momento só tinha visto nos maravilhosos desenhos de Walt Disney. Aquele ser estava vivo e era real! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Olá - nesse momento Vítor falou para dentro e assim fez com que o criado-mudo não entendesse muito bem a sua resposta!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que? Você pode falar mais alto? Eu não estou entendendo nada do que você está falando... você é mudo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor falou que não com a cabeça.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas então porque você não fala? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Po-po-por-que vo-você fa-fa-fala! - respondeu ao móvel gaguejando.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas é claro que eu falo! Você se assustou? Eu sou tão feio assim?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A pergunta fez Vitor balançar a cabeça de um lado para o outro outra vez.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-         Olha... eu vou ficar aqui onde eu estou e quando você se recuperar desse choque você me avisa, tá?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Passaram poucas dezenas de minutos e o criado-mudo já não agüentava mais esperar e muito menos olhar para a cara de bocó com que Vítor ainda estava. Resolveu cantar a música do sapo que era de sua própria autoria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&amp;shy;– Senhor sapo, coaxe aqui!&lt;br /&gt;Nunca vá coaxar lá&lt;br /&gt;Mas se aqui um monstro vier&lt;br /&gt;Então pare de coaxar.&lt;br /&gt;Se embora o monstro for&lt;br /&gt;Ou estrago ele fizer&lt;br /&gt;Não agüente tanta dor&lt;br /&gt;Coaxe o tanto que quiser!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Realmente... de mudo você tem só o nome! - resmungou ao recuperar da crise de bocoismo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas assim é a nossa vida, meu caro Vítor!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu te disse meu nome? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não, você não me disse.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Então como você sabe que eu me chamo Vítor?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vamos considerar que sou um criado-mudo e não um criado-surdo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Tudo bem! Já estou cansado desse negócio de que você é um criado-mudo que fala e tal... Vamos parar com essa besteira e vamos logo ao ponto onde você quer chegar!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O móvel olhou bem fundo nos olhos de Vítor e falou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que eu gostaria que você soubesse é que as pessoas que não falam não são completas idiotas e elas têm opinião, muitas vezes melhor elaborada do que a dos outros. Só que não conseguem botar tudo o que pensam para fora. Talvez elas saibam que serão censuradas por um mundo de ignorantes ou por um bando de desanimados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Talvez as pessoas que não expõem suas idéias sejam egoístas e por isso não mostram seus grandes pensamentos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Algumas pessoas são assim, mas a maioria é gente boa. São pessoas que só querem que os outros entendam o quanto suas idéias podem dar certo e as ajudem a transformá-las em realidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       É raro encontrar pessoas que ajudem as outras, não é mesmo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você tem razão, meu caro Vítor! Mas é muito mais difícil encontrar alguém que saiba que o outro está precisando de ajuda sem que  ele diga uma só palavra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Como assim?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você já teve animais de estimação?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Já, muitas vezes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eles falavam com você?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não no nosso português claro do dia a dia!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vejo que está me entendendo. Nossos gatos ou cachorros falam com a gente através de olhares, movimento do corpo e até mesmo barulhos feitos com a boca! Basta nós lembrarmos de um cachorro triste e um cachorro alegre! O cão triste solta sons tão deprimentes que dá até pena do bichinho. Já o cão feliz corre para lá e para cá, late e balança bastante o rabinho. Mesmo não falando uma palavra sequer da nossa língua, conseguimos entender os nossos animais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Isso acontece com as pessoas?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Claro que acontece! Eu e você falamos a mesma língua, porém se dissermos a mesma frase em tonalidades diferentes não estaríamos dizendo a mesma coisa. O tom de voz pode ter mais significado do que a própria frase, ele diz quando as pessoas estão brincando, falando sério, quando estão tristes ou alegres.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas isso não tem muita coisa a ver com o que você está me explicando... você tem que me explicar sobre o não falar!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Tudo bem! Sabe nos dias que tinha visita na sua casa, na época de sua infância? Lembra-se de algum?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Sim, me lembro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Já fez alguma coisa errada perto de seu pai e das visitas? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Já! E sei muito bem o que o olhar do meu pai queria dizer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que queria dizer?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Que eu não iria sair ileso daquela situação... Que o pau ia quebrar depois que a visita fosse embora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Isso mesmo...  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você tem razão! Pessoas que nunca dizem nada podem ser uma das que mais falam. Para entendermos isso é só prestarmos atenção em seus olhares, movimentos corporais e muitas, muitas outras coisas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Acho que você entendeu... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E com a mão, mostrou a porta. Muitos, desse gesto, entenderiam “Vai embora, seu feioso” mas Vítor soube decifrar corretamente o que o criado-mudo quis dizer. Ele entendeu: “Vamos, eu te acompanho até a porta.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor se despediu fazendo um sinal com a cabeça para o móvel e este respondeu fazendo um sinal com a mão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Como foi o nosso episódio? – perguntou a escada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor olhou para a escada e disse sem dizer uma palavra através dos olhos: “Como se você não soubesse....” &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1480695701371398420-4151775088622627791?l=umsaltoparaaeternidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/4151775088622627791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/4151775088622627791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umsaltoparaaeternidade.blogspot.com/2008/11/captulo-11.html' title='Capítulo 11'/><author><name>Eduardo Franciskolwisk</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08218200326693989966</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1480695701371398420.post-1923363099671331020</id><published>2008-11-10T23:38:00.001-02:00</published><updated>2008-11-10T23:40:49.097-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 12</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Naquele mesmo andar, Vítor viu uma outra porta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Ai, meu Deus! Lá deve morar outro louco... – pensou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E sua consciência falou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não tenha tanta certeza disso!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas eu já sei o que vai acontecer. Eu vou entrar, esperar um pouco, vai aparecer um bicho qualquer e aí, depois, nada o que acontecer poderá ser considerado real! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mesmo não querendo ir ele entrou no apartamento vizinho ao do criado mudo. Em certas horas, mesmo não querendo, a gente acaba fazendo o que nossa consciência manda. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E Vítor entrou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O apartamento era chique, mas como estava um pouco cansado ele decidiu sentar e esperar o inesperado!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ding Dong. Ding Dong. A campainha tocou! Vítor saltou do sofá assustado e sem saber direito o que fazia abriu a porta! Era um homem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Serviço de Correio! – e mostrando um grande pedaço de pau continuou – Parabéns, você acaba de levar o maior pau da sua vida!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas como o senhor sabe que esse pedaço de pau é para mim? Aposto que nem sequer sabe o meu nome!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não é necessário! Nós do Serviço de Correio somos treinado para achar o impossível. E se você quer saber não foi muito difícil te achar!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Como o senhor me achou?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       É simples! Dá uma olhadinha aqui! -  e mostrou uma pequena parte do pau onde estava escrito o destinatário – Está vendo? Está escrito “Para o babaca do prédio”. Foi muito fácil te achar!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Assine aqui, por favor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E mesmo Vítor não assinando o carteiro gritou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Obrigado, senhor! - e foi embora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Então, Vítor fechou a porta e foi se deitar no sofá mais confortável que tinha na sala e, em questão de segundos, adormeceu!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O sono estava gostoso e o sonho que ele teve foi assim:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Isaac Newton estava andando sob uma macieira e de repente caiu uma maça na sua cabeça e ele, emocionado, disse: ‘Descobri a lei da gravidade!’. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;         Beethoven estava andando sob uma macieira e de repente caiu um piano na sua cabeça e ele, emocionado, disse: ‘Descobri que eu posso tocar somente sentindo o piano!’.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vítor estava andando sob uma macieira e de repente caiu um pedaço de pau bem grande na sua cabeça e ele, com muita dor, disse: ‘Descobri que levar o maior pau da sua vida te faz sofrer!’.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E depois da pancada do sonho acordou. Estava meio tonto, sua cabeça doía. Talvez, a pancada do sonho houvesse mesmo acontecido. Isso não importava, Vítor se sentia tão mal interiormente que não tinha mais forças para nada. A única coisa que conseguiu fazer naquele momento foi chorar. Chorava baixinho, praticamente não fazia barulho algum. Quem sabe ele tivesse medo ou vergonha de que alguém o visse naquele estado? Vítor chorava como um adulto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Essa é a verdade: sabe-se que uma pessoa virou adulta quando ela pára de fazer o escândalo que as crianças fazem na hora de soltar as lágrimas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Chorou por muitíssimo tempo. Só a escada sabia porque ele chorava tanto... A culpa era dela.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda com os olhos vermelhos e molhados por algumas gotas de lágrimas, Vítor saiu do apartamento que o havia feito chorar por um bom tempo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nem ele e nem a escada disseram uma só palavra naquele momento. E mesmo assim, Vítor se dirigiu ao apartamento do andar superior, andava lentamente e pensativo, estava chocado, enquanto se movia para o 4º andar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1480695701371398420-1923363099671331020?l=umsaltoparaaeternidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/1923363099671331020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/1923363099671331020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umsaltoparaaeternidade.blogspot.com/2008/11/captulo-12.html' title='Capítulo 12'/><author><name>Eduardo Franciskolwisk</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08218200326693989966</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1480695701371398420.post-1139700809281831934</id><published>2008-11-10T23:34:00.002-02:00</published><updated>2008-11-10T23:38:28.119-02:00</updated><title type='text'>Capitulo 13</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Enfim, chegou no 4º andar! Como demorou! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor aproximou-se da porta com a mesma lentidão que percorreu todo o caminho que o fez chegar ali onde estava. Já não tinha lágrimas nos olhos. Quando frente a frente com a porta, levantou a mão e apertou a campainha levando um baita susto ao escutar o som de uma sirene. Tirou o dedo da campainha e o barulho parou. E apertando-a novamente a sirene tocou. Parecia a sirene de uma ambulância ou da polícia. Só parecia...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao abrir a porta, disse uma senhorita que usava óculos:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Tudo bem, tudo bem, já escutamos o sinal e já estamos todos dentro da sala de aula. Não é mais necessário tocá-lo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor a olhou nos olhos e pensou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Deve ser uma professora... Tomara que seja uma professora normal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Era mesmo uma professora. Sem perder muito tempo ela continuou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Ande logo! Já está atrasado. Entre e sente-se no seu lugar sem fazer barulho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pode não parecer, mas ela não estava brava e falou isso calmamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor deu o primeiro passo para o apartamento e nele viu o quanto grande era a sala de aula da senhorita. Estava cheia e só não demorou para achar seu lugar porque as criança, seus novos colegas, o ajudaram.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A carteira até que era confortável. O que Vítor não estava suportando era a aula de matemática.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Um triângulo tem três lados, o quadrado tem quatro lados, e o círculo, quantos lados tem?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Rapidamente, Edgar, um menino gordinho que sentava na frente de Vítor respondeu:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Dois lados, professora! O lado de cima e o lado de baixo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       E como você chegou a essa conclusão?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       É simples, professora! É só observar a minha bolinha. Quando eu a jogo e a faço rolar, eu vejo que, apesar dela estar girando, ela só tem o lado de cima e o lado de baixo. Sempre. Se você quiser pode fazer o teste na sua casa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu entendo, Edgar! Mas, vamos complicar mais as coisas. E se eu fizesse um pontinho com uma caneta na sua bolinha e a fizesse rolar? Onde estaria o pontinho? Com certeza, em alguma hora ele não estaria nem no lado de cima e nem no lado de baixo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Olha, professora! Se o problema é tão simples para que complicar? As pessoas têm essa mania de querer ver o que não existe onde não tem nada. A vida já é muito complicada sem as complicações. Quer um exemplo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Quero.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Se eu disser você me dá dez pelo resto da vida? Sabe? Para facilitar para a senhora!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Com certeza!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O melhor exemplo de que a vida já é complicada é que ninguém gosta de complicações mas todo mundo gosta de complicar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       É um bom exemplo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E, ao tocar o sinal, todos saíram e foram para o recreio. Vítor foi o último a sair da sala para ir até o pátio. Não demorou muito e um dos alunos se aproximou dele e perguntou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Qual o seu nome?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vítor, me chamo Vítor e você?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Lucas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E um curto silêncio aconteceu sendo interrompido por Lucas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       De onde você veio?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não sei! De verdade, eu não sei. – respondeu Vítor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você é um mentiroso e também...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não houve tempo para Lucas terminar a frase porque o sinal tocou novamente e todos os alunos tinham de voltar para a sala de aula.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Indignado, Vítor reclamou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas o que é isso? O nosso recreio é só esse tempinho mixuruca? Isso não está certo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Está mais que justo esse tempo de recreio. – disse a senhorita nervosa como só Deus sabe, e continuou – Sente-se já no seu lugar e não reclame. Caso contrário te ponho as orelhas de burro, que é o que você merece. Tamanho homem e ainda não saiu do primário. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aquela não era a mesma senhorita de antes. Para dizer a verdade, era. Vou tentar explicar: era mas não era. Apesar da mesma cara, não tinham os mesmos comportamentos. Talvez fosse um clone! Isso não importa, o importante eu já disse e repito: não tinha os mesmos comportamentos.&lt;br /&gt;Vítor e todos os outros alunos já estavam sentados. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não se assuste, coleguinha! É normal ela virar bruxa depois do recreio. – cochichou Edgar aos ouvidos de Vítor virando-se para trás.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Obrigado pelo aviso, amiguinho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Só estou te avisando porque ela vai acabar com o próximo coitado que for chamado. Você é novo e talvez seja você.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor olhou bem nos olhos de Edgar e arregalou os próprios. Enquanto isso a professora disse:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Lucas, levante-se.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Toda a classe se sentiu um pouco aliviada, mas só um pouco.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       E agora! O que vai acontecer, Edgar? – perguntou Vítor ao novo colega.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não sei! Nesse lugar aqui tudo pode acontecer: desde a coisa mais maravilhosa do mundo até a coisa mais maligna. Só vendo para saber...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lucas já estava de pé e por muitas vezes engoliu seco. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Onde está o seu trabalho, moleque? – esgoelou a senhorita.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lucas nada respondia. A única coisa que conseguia fazer naquele momento era engolir seco. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mais furiosa do que antes gritou mais alto do que da última vez:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Responde, seu inútil!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Era notada sua tamanha irritação pelas veias e pela coloração vermelha, quase roxa, que apareceram em sua face. Somente algo divino poderia transformar aquela situação escandalosa e inútil em algo, pelo menos, normal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De repente, uma rosa branca caiu do céu em alta velocidade fincando-se na cabeça da senhorita. Todos viram o que tinha acontecido, menos ela. Nem sequer sentiu a rosa branca ter o cabo introduzido na sua fábrica de idéias. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;À medida que ia gritando mais com o pequeno aluno, a rosa branca ia ficando de  cor vermelha e quanto mais isso acontecia mais seu nervosismo ia diminuindo. Pouco tempo depois a rosa já estava vermelha, o rosto da senhorita de aparência amigável e todos na sala aliviados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como se não tivesse acontecido nada, a senhoria continuou a conversa com o aluno, mas desta vez num tom doce e calmo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Então, porque é que você não fez o trabalho?  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Sabe o que é, professora? - respondeu Lucas – Eu não tenho equipe, ninguém quer fazer o trabalho comigo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       E você sabe o motivo para isso?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu acho que é porque eu sou exigente nas coisas que faço e também porque ninguém concorda com as minhas idéias... mesmo com eles sabendo que minhas idéias são boas e criativas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Que coisa feia, classe! – disse a senhorita para o restante da classe e depois voltou a falar com Lucas - E você tinha muitas idéias para o seu trabalho? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Tinha sim, senhorita! Ter idéias é fácil, o difícil é encontrar alguém que te ajude a realizá-las. As pessoas têm medo de falharem ao tentar levar uma idéia para a realidade e ninguém pode ser assim. Se temos uma idéia boa, bem planejada e que nos faça feliz, devemos fazê-la real. Tomando, claro, todos os devidos cuidados necessários. E sempre, sempre ajudando a construir as idéias dos outros, para que sejamos ajudados quando precisarmos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas porque você não fez o trabalho sozinho?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Porque eu gosto de saber o que as outras pessoas pensam. Desse jeito o trabalho fica melhor e mais gostoso de ser feito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Tudo bem, dessa vez eu vou deixar você entregar o trabalho amanhã. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Obrigado, professora!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E a senhorita perguntou para a classe:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Alguém quer fazer o trabalho com o Lucas?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ninguém se candidatou. Assim é o mundo, Lucas! Assim é o mundo...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O sinal bateu e todos os alunos, correndo, saíram da escola para ir para casa. Vítor fez o mesmo, e ao passar pela porta chegou no corredor por onde tinha entrado. Dali foi rapidinho para o 5º andar sem dizer nada para a escada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Realmente! – pensou a escada -  Ninguém quer estudar, mas todo mundo quer nota no final do ano. Que coisa... Que mundo...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1480695701371398420-1139700809281831934?l=umsaltoparaaeternidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/1139700809281831934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/1139700809281831934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umsaltoparaaeternidade.blogspot.com/2008/11/capitulo-13.html' title='Capitulo 13'/><author><name>Eduardo Franciskolwisk</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08218200326693989966</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1480695701371398420.post-110082151613916267</id><published>2008-11-10T23:29:00.001-02:00</published><updated>2008-11-10T23:34:00.900-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 14</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;–       Já sei... no 5º andar, como em todos os outros, eu vou encontrar a porta de um apartamento, vou entrar e alguma coisa estranha vai tentar me dar uma lição de moral, uma lição de vida. – disse Vítor para a escada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Que bom que você já está se acostumando, Vítor!  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       É só o que aconteceu até agora, não é preciso ser um gênio para saber isso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não posso te dizer muita coisa, Vítor, mas sempre espere o inesperado. Conselho de consciência!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O inesperado aqui é impossível...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não me atreveria a dizer isso em um prédio como esse!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você é você! – falou já perdendo a paciência com a escada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu sou eu, logo, você é eu e eu sou você. Somos a mesma pessoa e por isso tudo o que eu acho você também acha, mesmo que não queira assumir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       A senhorita escada poderia ficar quieta por alguns instantes? Será que isso seria possível? Tomara que isso algum dia ocorra!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enquanto resmungava com a escada, Vítor não notou que já estava no corredor do 5º andar. Só parou de reclamar e percebeu que já estava onde estava quando a lâmpada que iluminava aquele corredor caiu como um tiro certeiro na cabeça dele. Pequenos cacos de vidro se espalharam pelo chão junto com o corpo de Vítor, que caiu duro e de costas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Apesar do tombo ele não desmaiou e se levantou imediatamente se dirigindo à única porta que tinha no corredor. Por mais que girasse a maçaneta a porta não se abria e ele não desistiu, pois pensava que alguma hora aquela porta iria abrir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas a porta não se abriu. Vendo aquela cena ridícula a lâmpada falou em alto e bom som:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Adoraria te dar uma luz aí, amigo Vítor, mas isso não será possível... – e olhou ao seu redor apontando para os caquinhos que estavam espalhados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Justamente o que eu não esperava: uma luz falando!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Luz não, amigo Vítor, sou uma lâmpada. Luz é o que você precisará para continuar a subir e passear pelos outros andares. Sabe por quê?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Por quê?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Porque é a minha luz que dá o livre arbítrio de se abrirem e se fecharem quando quiserem às portas desse prédio. Sem a minha luz elas só podem ser encontradas fechadas, ou melhor dizendo, trancadas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       E o que eu tenho com isso?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você vai ter que me arrumar! Você terá que colar cada pedacinho um no outro com incrível perfeição. Caso contrário ficará aqui para sempre! Como eu já disse, as portas não se abrem, em hipótese alguma.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor correu em direção à lâmpada para chutá-la, mas no meio do caminho pisou em um dos pedacinhos de vidro que se quebrou em mais pedacinhos e por isso, parou!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Nada disso, amigo Vítor! Quanto mais nervoso você ficar mais difícil vai ser para me colar com a perfeição que é necessária. Veja só, você pisou em um caquinho e ele virou vários caquinhos menores... Azar o seu e sorte a minha, porque vou ter uma raridade, vou ter uma pessoa para conversar comigo durante muitíssimo tempo!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não acredito nisso! Isso, realmente, não estava na minha lista de coisas impossíveis que são possíveis de se acontecer aqui nesse prédio!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Quer uma dica, amigo Vítor? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E já mais calmo Vítor a aceitou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Fala, gênio da lâmpada!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Espere o inesperado!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu já escutei isso em algum lugar... não me lembro onde foi!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Todos dizem isso! Deve estar enterrado no fundo da sua consciência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor olhou para a lâmpada e fez com a cabeça o sinal de “é... talvez!”, porém, ele logo perguntou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas como eu vou colar seus caquinhos se aqui não tem cola? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Olhando para todos os lados, tentando achar a cola ouviu a resposta da lâmpada:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu não posso ser colada com cola! Tenho, obrigatoriamente, que ser colada com cuspe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Tenho que te colar caquinho por caquinho e ainda com cuspe?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Espere o inesperado!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor começou a colar. Enfiava o dedo na boca, passava nos pedacinhos e depois tentava encaixar um por um, como se fosse um quebra-cabeça. A lâmpada não parava de falar, estava muito feliz por estar sendo colada e, além disso, não queria perder a oportunidade de conversar com alguém de verdade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele, no entanto, não dava a mínima bola para ela por dois motivos: o primeiro era que o assunto dela não era nada interessante para Vítor e o segundo era que com o dedo indo e vindo da boca, não dava mesmo para conversar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Sabe que eu sou uma lâmpada mágica? – perguntou a escada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O assunto começava a ficar interessante para Vítor, que já prestava atenção nas palavras da amiga e que já tinha arranjado um jeito de falar com o dedão na boca. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Continue, amiga lâmpada, continue!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas eu não posso realizar três desejos, o que eu posso fazer é responder três perguntas, qualquer que sejam elas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Isso já esta de bom tamanho! Posso fazer a primeira?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não, eu tenho que estar num perfeito estado de colagem! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Traduz...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Primeiro, você tem que me colar direitinho... Como tínhamos combinado!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Ah... Além de abrir as portas você também responde perguntas! Isso é interessante.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;–       Sim, mas só para a pessoa que é dona do cuspe que me colou!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Entendo...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois de algumas horas colando, Vítor terminou. A lâmpada já estava com sua luz, assim, as portas do prédio já podiam abrir e fechar segundo o livre arbítrio das mesmas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Só mais um favorzinho, amigo Vítor! Coloque-me lá no teto que é o meu lugar!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Pois não, amiga lâmpada! Eu também tenho um favor para pedir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Pode dizer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Espere-me aqui, enquanto eu vou dar uma passadinha naquele apartamento – e apontou para a única porta de apartamento que lá tinha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não perca tempo, amigo Vítor! Aquela porta é falsa, não chega a lugar nenhum, para dizer a verdade jamais se abre. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas você disse que todas se abrem, só depende delas mesmas e da sua luz.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Espere o inesperado, amigo Vítor!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor ficou muito feliz ao saber que não teria que entrar naquele apartamento, seria um impossível a menos na lista dele e antes que a porta se resolvesse se abrir ele disse:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vou fazer as minhas três perguntas agora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Estou escutando, amigo Vítor!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você vai me responder tudo o que eu quiser saber?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Qualquer coisa?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Qualquer coisa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você não está me enganando?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Então, eu quero saber se...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu já respondi às três perguntas as quais você tinha direito! Não posso responder mais nenhuma!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas eu sou seu amigo, amiga lâmpada! Bem, pelo menos eu achava que fôssemos amigos! Afinal, nós conversamos durante horas e eu te colei com a máxima perfeição que eu consegui. Fiz isso porque achei que você quisesse ser minha amiga!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A lâmpada não falava nada e por isso Vítor continuou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu, realmente, não esperava isso de você!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Espere o inesperado! – respondeu a lâmpada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Isso foi o suficiente para que Vítor pensasse em quebrar a lâmpada novamente, porém, ele se lembrou que se o fizesse não poderia sair dali. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Então, antes que cometesse alguma besteira, saiu rapidamente pela porta que levava até o 6º andar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1480695701371398420-110082151613916267?l=umsaltoparaaeternidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/110082151613916267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/110082151613916267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umsaltoparaaeternidade.blogspot.com/2008/11/captulo-14.html' title='Capítulo 14'/><author><name>Eduardo Franciskolwisk</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08218200326693989966</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1480695701371398420.post-1211920684603546720</id><published>2008-11-10T23:01:00.002-02:00</published><updated>2008-11-10T23:07:20.544-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 15</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ainda no embalo com que vinha do 5º andar, Vítor chegou ao 6º e ao ver a porta do apartamento entrou, fechou a porta e os olhos, respirou fundo e agradeceu por estar seguro lá dentro. Ao respirar fundo sentiu um cheiro diferente, sentiu cheiro de plantas. Aquilo era esquisito! Quando abriu os olhos para conferir onde estava deu de frente com uma enorme floresta, olhou para trás e a porta tinha sumido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fez, então, a única coisa que poderia ter feito: andou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Meia hora depois avistou uma casinha, era pequena, porém, não muito. Era pequena no sentido de que as portas, e todo o resto, eram menores do que as que temos em nossos quartos. Teve a mais simples idéia de toda a face da Terra, a de ir até a casinha e ver se encontrava alguém. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E já estava quase chegando na cerca que rodeava a casa quando escutou uma voz que vinha por suas costas:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Olhe! Que surpresa... Temos visita!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor virou-se e viu um velho, um velho com orelhas pontudas e com o rosto e as mãos meio amarelados. A estatura dele era pequena, posso dizer que proporcional ao tamanho da casinha da qual falei  há pouco tempo. E ao reparar no tom amarelado do velho, Vítor perguntou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O senhor está doente?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Sim, meu filho! Eu sou um duende! – respondeu o velho com um sorriso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você está de brincadeira comigo? – brigou Vítor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Claro que eu poderia ser seu amigo... A minha casa é aqui perto, vamos até lá para conversarmos melhor. Vou te apresentar a minha mulher! Nós, os duendes, adoramos fazer amigos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor percebeu que ele era meio surdo e que queria ser seu amigo, porém já tinha se dado mal em casos de amizade. E, por isso, tentou se desculpar e ir embora dali:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu tenho de ir embora, já é muito tarde!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não diga uma coisa dessas! Minha senhora não vai te achar um covarde. Sabe? Ela já está acostumada com pessoas iguais a você que se perdem na floresta. Você não é o primeiro e nem será o último. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E antes que Vítor falasse, ele continuou andando e falando, impedindo assim que Vítor fosse embora  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Qual o seu nome?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vítor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Igor? Bonito nome você tem...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       E o senhor, como chama?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Esplendor Colama. Igor Esplendor Colama. Vou te dizer o meu nome, quer saber qual é?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor balançou a cabeça fazendo sinal de sim!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Meu nome é Gulawinsk e, antes que eu me esqueça, a minha mulher se chama Serespolia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Gulawinsk? Serespolia? Que nomes esquisitos!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Obrigado, garoto. Como eu já disse o seu nome também é bonito!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E chegaram na casinha do velho duende.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Serespolia! – gritou Gulawinsk pela mulher – Cheguei e trouxe alguém para o jantar!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Que maravilha! Temos visita – exclamou a duende que também tinha orelhas pontudas e a pele meio amarela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Entre, meu rapaz! Espere-me enquanto troco de roupa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor abaixou a cabeça e entrou na casinha. Sua sorte era que os duendes tinham em casa um teto bem mais alto que o necessário. Depois ficou sabendo que o teto havia sido feito para que o casal pudesse receber visitas que não fossem duendes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Com muita freqüência recebemos visitas. A Dona Onça, que é vizinha nossa, vem todas as noites aqui. – explicou Serespolia a Vítor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas a onça não come vocês?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não, imagine! Vivemos em grande harmonia com os animais! Somos nós que pintamos o pelo da onça, somos nós que arrancamos os pezinhos que estão para nascer nas cobras com um alicate e assim por diante. Por isso, todos os animais da floresta gostam de nós.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E com uma roupa diferente Gulawinsk chegou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Sobre o que falavam, querida?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Sobre os sinais da sua testa. – respondeu ela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Entendo. Sabe, Igor? Eu também adoro os animais da floresta. O bicho com quem eu tenho mais paixão de trabalhar é o sapo. Você gosta de sapo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor balançou a cabeça de um lado para o outro. Ele ainda não tinha a experiência de Serespolia. Esta perguntou para Vítor:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que você está fazendo na floresta? Está perdido?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mais ou menos, a história é longa e complicada, você não entenderia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Talvez sim, talvez não! Você não quer me contar?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Querer eu quero, mas você não vai entender do jeito que eu quero!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Cada um tem a sua interpretação própria das histórias que lê ou escuta, porém, posso te garantir que nenhuma dessas interpretações é errada, é apenas algo que o nosso “eu” lá no fundo precisa entender. – explicou Serespolia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O duende Gulawinsk é um exemplo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Sim, ele é um exemplo. Ele, por estar com o ouvido sujo, não entende nada direito, mas entende o suficiente para tratar a todos com respeito. Ele é um duende e essa é a sua função.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Gulawinsk, que depois da resposta negativa de Vítor tinha ido procurar uma varinha mágica para com ela tentar limpar os ouvidos, voltou para a sala com as mãos vazias. Para dizer a verdade ele nem ligava de ter as orelhas sujas, gostava era mesmo de balançá-las, enquanto uma estava apontada para frente a outra estava voltada para trás e vice-versa. Era engraçado ver um duende velho fazer aquilo! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ia haver uma festa na floresta naquela noite e Gulawinsk não poderia aparecer de orelhas sujas. Serespolia pediu para Vítor que o ajudasse a limpá-las. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu ajudo! Assim conhecerei o Gulawinsk de verdade e ele saberá que não me chamo Igor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os dois foram até o fundo da casinha, onde ficava uma mangueira, para tentarem tirar toda aquela sujeira dos ouvidos de Gulawinsk.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Deixa-me ver a sua orelha!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Ovelha? Não tenho ovelha!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor o pegou pela pontinha pontiaguda da orelha e a segurou com tanta força que o duende gritou. Além disso, para que ele aprendesse que era importante lavar os ouvidos deu uns puxões para lá e para cá, quase as arrancando, sempre fingindo ser sem querer!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para começar o banho Vítor molhou as orelhas e em seguida jogou muito sabão em pó. Depois, com uma escova de dente limpava até onde alcançava, jogou água novamente e as enxugou. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você escuta o que eu falo? – quis saber Vítor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas Gulawinsk não respondia e por isso levou mais uns dois ou três puxões de orelha. Assim, o duende reclamou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não puxe assim as minhas lindas orelhinhas, senão elas vão parecer orelhões de telefone!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Que? Não estou escutando nada! – e puxou mais duas vezes!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Ai! Ai! Pára de fazer isso! Você quis me ajudar e não conseguiu, agora está querendo me arrancar o meu brinquedo favorito. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E, dizendo isso, Gulawinsk mexeu as orelhinhas para frente e para trás como gostava de fazer. Ainda as mexendo falou rindo:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você não consegue resolver o meu problema! Rá, rá rá!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Rá, rá, rá! Consigo sim! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E Vítor tapou o próprio nariz, fechou a própria boca e forçou o ar pelo nariz, sinalizando para que o velho duende fizesse igual. E ele fez! Depois de várias tentativas saíram, fazendo o barulho de uma explosão, de cada ouvido cinco quilos de cera. É bastante para um duende tão pequeno. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Agora você me escuta?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Sim, Igor! Com perfeição... Obrigado por me ajudar! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Que bom! Mas eu queria te dizer que o meu nome é Vítor! Entendeu? Vítor!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Já terminaram? – disse a voz de Serespolia vindo de dentro da casa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Sim, querida! – gritou o duende.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Então, entrem logo. Senão vamos nos atrasar para a festa!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Entraram. Tudo indicava que Vítor iria à festa e dormiria ali, mas não foi isso que aconteceu. Após se arrumar e sentar na sala para esperar, Vítor notou a foto de um outro duende e perguntou para Serespolia que chegava na sala naquele instante:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Quem é esse duende? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       É o nosso filho! Nós não sabemos o que aconteceu com ele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Qual era o nome dele?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Ele se chamava Igor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor não disse nada, mas ficou pensativo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já pronto, Gulawinsk entrou na sala e disse:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vamos para a festa?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vamos – concordaram os outros dois.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas antes de sair pela porta eu gostaria de dizer que foi muito bom te rever! Ouviu, Igor?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E falando isso o casal saiu pela porta da frente em direção à festa e foi seguido por Vítor que mesmo sem entender nada foi atrás para poder perguntar, mas quando passou pela porta se achou de novo dentro do prédio. Já estava fora do apartamento e poderia seguir caminho para o 7º andar. Porém, comentou com a escada:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu acho que Gulawinsk entendeu desta história algo impossível!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E a escada disse:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Nós entendemos das histórias que lemos ou escutamos aquilo que precisamos entender. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E Vítor seguiu caminho para o 7º andar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1480695701371398420-1211920684603546720?l=umsaltoparaaeternidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/1211920684603546720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/1211920684603546720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umsaltoparaaeternidade.blogspot.com/2008/11/captulo-15.html' title='Capítulo 15'/><author><name>Eduardo Franciskolwisk</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08218200326693989966</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1480695701371398420.post-9039861557976863422</id><published>2008-11-10T22:57:00.001-02:00</published><updated>2008-11-10T23:00:49.781-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 16</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vítor, após ter subido as escadas, parou em frente da porta do apartamento do 7º andar e disse para a escada:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vou entrar logo! Assim isso tudo acaba logo!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que espera? – disse ela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E assim fez Vítor, entrou no apartamento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Hum... uma sala! Bem, vou esperar o bicho que vai falar comigo sentado aqui, nessa cadeira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No momento em que já estava sentando, ele se lembrou, pensando consigo mesmo:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Ei! E eu for conversar com essa cadeira? Ela vai gritar, fazer escândalo e... Quer saber? Acho melhor eu perguntar!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor falou para a cadeira:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Oi, senhora cadeira! Tudo bom com a senhora? Eu sou quem você estava esperando!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A cadeira nada respondia e, então, ele falava mais alto, como se estivesse falando com alguém surdo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Alô! Cadeira! Tem alguém aí? Responde!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como ela não respondeu, ele, já de saco cheio, sentou para esperar. Sentado percebeu que tinha duas placas pregadas na parede. Uma dizia “Sorria, você está sento filmado!” e a outra dizia “Sorria, você está fotografado”. Vítor não ligou para nenhuma das placas, nem mesmo para a que falava de fotografia, afinal era normal filmar lugares por motivos de segurança, pensou que a fotografia estava sendo usada pelo mesmo motivo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De repente, ele viu uma luz que acendeu e apagou rapidamente na outra sala. Na primeira vez que isso aconteceu ele conteve sua curiosidade esperando sentadinho, mas da segunda vez ele não agüentou e foi até a outra sala ver que luz era aquela que acendia e apagava tão rápido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A luz era o flash de uma máquina fotográfica que ao ver Vítor perguntou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– O que você faz aqui?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu vim tirar fotos! – mentiu Vítor – Você é a máquina que tira fotos?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não, não sou! Eu sou a filmadora! – corrigiu a máquina fotográfica.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Ah! Já entendi! Você é daquelas que gosta de tirar sarro, não é? Saiba que a piada foi boa!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Que piada? Eu estou trabalhado e não brinco em serviço. Vou chamar a filmadora que é quem tira as fotos aqui.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor confuso quis saber:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas se é a filmadora quem tira as fotos, o que você, a máquina fotográfica, faz?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu filmo, dhãã! E depois de ter dito isso gritou para a filmadora que tirava as fotos – Filmadora, tem um cara querendo tirar fotos! Venha aqui!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E chegou a filmadora que tirava fotos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Pois não, cavalheiro! Queira sentar-se aqui, nesse banquinho.. – disse a filmadora para Vítor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Obrigado, mas não vou me sentar enquanto não me explicarem esta história direito!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você está vendo esse cara? É um babacão! E todos os seus clientes vão ser assim! – explicou a máquina fotográfica para a filmadora, já que aquele era o primeiro dia de trabalho da filmadora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Ei... não sou nenhum babacão! Babacão é o seu papai e a sua mamãe! – gritou Vítor bravo com a máquina fotográfica.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vejo que conhece a minha família! – se surpreendeu a máquina.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não conheço ninguém. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Então, como sabe que meu pai e minha mãe são babacas? – perguntou a máquina que depois continuou – Para dizer a verdade a minha família inteira é de babacas!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       É modo de dizer, não quis ofender a sua família!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       E não a ofendeu. Só que o que você falou é verdade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A filmadora se pôs a rir dizendo:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       A família da máquina fotográfica é uma família de babacas! Lá só tem babacas!&lt;br /&gt;Olhando bem fundo na lente da filmadora que tirava fotos, a máquina fotográfica que fazia filmes, muito séria, falou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Está rindo de que? A minha família é idêntica à sua! Todos os problemas que eu tenho você também tem e não tem nenhuma vírgula de diferença entre a sua história e a minha!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A filmadora, depois de ter escutado aquilo, não riu mais! Quem achou o fora que a filmadora levou engraçado foi Vítor que riu baixinho, mas riu. E depois de ter sido intimado pelos olhares das duas, parou de rir e perguntou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Qual é a história de vocês?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Bem! – disse a máquina fotográfica que filmava – O que tem de mal em você saber a história? Mas eu vou ter que te contar com a boca, afinal eu não posso te mostrar o filme, não sei filmar! E não pense você que a filmadora é mais inteligente do que eu, ela sabe não sabe tirar fotos!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       E como vocês trabalham?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       A gente faz tudo com má vontade... – disse a filmadora. – É o meu primeiro dia aqui e eu já aprendi isso! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas assim nenhum trabalho fica bom! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Bem! Posso começar a história? - perguntou a máquina fotográfica.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Pode! – respondeu Vítor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Bem! Tudo começou numa indústria bem longe daqui, onde eu e a filmadora fomos fabricadas. Eu pertenço à família das máquinas fotográficas e a minha amiga pertence à família das filmadoras. Porém, nossos pais queriam que fôssemos diferentes e que seguíssemos uma profissão diferente da que eles tinham. Foi assim que nasceu a idéia de que eu, uma máquina fotográfica me tornasse uma filmadora e de que a filmadora se tornasse uma máquina fotográfica. Fomos, portanto, criadas desde o primeiro dia de loja até o dia em que fomos compradas para ser o que não éramos! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Que história triste! – se comoveu Vítor. – Vocês duas são tão iguais e estão juntas... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Acho que tivemos sorte em morarmos na mesma loja e mais sorte ainda ao sermos compradas pela mesma pessoa. – comentou a filmadora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor não via motivos para que os pais daquelas máquinas se intrometessem em algo que é de extrema escolha pessoal e que é uma das coisas mais importantes que pode ser conquistadas por alguém. É claro que estamos falando da profissão! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enquanto pensava nisso ouviu as palavras mais dolorosas que alguém  poderia dizer, primeiro disse a máquina fotográfica:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que me adianta meus pais quererem que eu seja uma filmadora se eu nasci para tirar fotos?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E depois a filmadora:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que me adianta meus pais quererem que eu seja uma máquina fotográfica se eu nasci para fazer filmes?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Realmente, Vítor não sabia o que responder! Para dizer a verdade ele sabia, mas achou melhor dar o seguinte conselho:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Como vocês não moram mais com seus pais, acho que vocês podem seguir a carreira que mais gostam. Afinal, se vocês realmente gostam isso é possível! Eles não precisam ficar sabendo...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E tanto a máquina fotográfica como a filmadora gostaram da idéia e resolveram pô-la em prática. A partir daquele instante a máquina fotográfica tirava fotos e a filmadora fazia filmes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muitas fotos foram tiradas e muitos filmes foram feitos antes da partida de Vítor. Recordações do novo amigo era o que não queriam deixar faltar nenhuma das duas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Durante a despedida Vítor recebeu também recordações: fotos e uma fita de vídeo com imagens dos três. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Para você não se esquecer de boas recordações... – disse a filmadora.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E Vítor falou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não se preocupem, nos humanos boas recordações são guardadas na memória! Até a vista!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Até a vista! – disseram as duas vendo Vítor sair pela porta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A consciência de Vítor pensou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que me adianta as pessoas quererem que eu seja o que não sou se eu nasci para ser o que eu sou?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1480695701371398420-9039861557976863422?l=umsaltoparaaeternidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/9039861557976863422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/9039861557976863422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umsaltoparaaeternidade.blogspot.com/2008/11/captulo-16.html' title='Capítulo 16'/><author><name>Eduardo Franciskolwisk</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08218200326693989966</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1480695701371398420.post-8937943380804319818</id><published>2008-11-10T22:54:00.000-02:00</published><updated>2008-11-10T22:57:12.696-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 17</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No 8º andar Vítor tomou choque ao tentar abrir a porta do apartamento. Tudo indicava que lá dentro tinha algo de elétrico. Antes de que Vítor colocasse as mãos na maçaneta para novamente tentar abrir a porta, ele ouviu a escada perguntar:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Caro, Vítor, o que está fazendo aqui?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Estou tentando abrir essa porta, não está vendo? Não consigo porque ela dá choque!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não, não me referi ao 8º andar. Refiro-me ao prédio todo. Por que está subindo até o último andar?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor, pensou, pensou, pensou e respondeu:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não sei... Eu estou subindo porque... Acho que estou subindo porque não me deixam nem descer e nem ficar parado. Escada, se você não percebeu, em cada andar eu tenho que conversar com alguma coisa ou com alguém, só assim eles me deixam passar para o próximo andar!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu já percebi isso sim, Vítor! Mas qual o seu objetivo ao chegar lá em cima?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Nenhum! Estou subindo só por subir mesmo...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A escada se sentiu um pouco feliz, afinal ela tentava fazer com que Vítor se esquecesse de que ele estava subindo porque queria pular de lá de cima. O plano dela parecia dar certo e se tudo continuasse como está, Vítor não tentaria suicídio jogando-se do último andar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vamos! – disse a escada -  Tente abrir a porta mais uma vez.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E assim fez Vítor! A porta se abriu e ele entrou todo contente. Não conseguiria esperar muito pois estava elétrico, talvez por curiosidade de saber o que viria, talvez pelos choques levados momentos atrás mesmo. Acho que se vocês considerarem a segunda opção a história fica mais engraçada, mas isso vocês são quem decidem, são vocês quem estão imaginando a cena.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Ai, meu Deus, uma pilha gigante! – exclamou Vítor assustado. – Espere aí... – continuou ele – Eu estou assustado com o que? Já vi de tudo nesse prédio, não vai ser uma pilha com pés e mãos, e aposto que até fala, que vai me pôr medo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Isso mesmo, não tenha medo de mim. Sou uma inofensiva pilha, não consigo eletrocutar nem uma formiga já eletrocutada! – confessou a pilha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Pobrezinha... – pensou Vítor com dó da pilha. – O que você faz aqui?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que eu faço? Eu estou trabalhando. E é com muito orgulho que eu faço isso, sabe porque? Porque eu adoro o que eu faço!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Que maravilha! Qual é o seu trabalho?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Meu trabalho é simples. Meu trabalho é testar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que você testa? – quis saber nosso Vítor.&lt;br /&gt;A pilha respondeu orgulhosa:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu testo pessoas! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor olhou para a pilha com os olhos arregalados e antes que ele pudesse falar alguma coisa ela continuou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você está vendo aquela máquina ali? Aliás, qual o seu nome?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor procurando pela máquina na direção que lhe foi apontada respondeu: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;br /&gt;–       Chamo-me Vítor. Não estou achando a tal máquina, vamos até lá.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Tudo bem. – disse a pilha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foram de encontro à máquina de testar pessoas. Quando já estavam em frente dela a pilha falou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vítor, esta é a minha máquina de testar pessoas. Vou te explicar como ela funciona.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor não disse nada, mas pensou muita coisa, como por exemplo:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Será que é a intenção dessa pilha me testar? Afinal, pelo que eu sei, eu sou uma pessoa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A máquina de testar pessoas parecia uma balança, dessas que são encontradas na farmácia. A diferença é que essa máquina tinha um pequeno teto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Está vendo – continuou a pilha – aquele negócio ali em cima que parece um teto? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Estou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       É lá que eu ponho o lado positivo das pessoas. Já na parte de baixo, aquela onde a pessoa pisa, ponho o lado negativo da pessoa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor, querendo saber o que poderia acontecer com ele, perguntou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Onde é o lado positivo de uma pessoa?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Na cabeça, costuma está na cabeça!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Então, a parte negativa está nos pés?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Exatamente, Vítor. Mas quero que fique bem claro: há exceções! Já tive alguns casos onde a parte positiva estava nos pés e a negativa na cabeça? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que você faz com um cidadão desses?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Faço o meu trabalho, ou seja, viro-o de ponta cabeça. Na marra, mas eu viro! Eles ficam bravos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que você faz com eles depois desse teste?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Depende. Se forem pessoas boas, eu as guardo porque são pessoas úteis. Se forem pessoas que não prestam, eu jogo fora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Gozado, - rio Vítor- de onde eu venho fazemos a mesma coisa com as pilhas!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       E é por isso que vou ter que testar você!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As pernas de Vítor tremeram e veio nele uma grande vontade de ir ao banheiro fazer xixi.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Nada disso, aqui nem tem banheiro! Pilhas não fazem xixi. Entra logo na minha máquina e não reclama.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Entrou na máquina, teve sorte por sua cabeça ser o seu lado positivo e por isso não ficou pendurado pelos pés.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vejo aqui que o seu lado positivo é maior que o negativo. Você é uma pessoa boa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você vai me guardar para sempre aqui nesse seu apartamento?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A pilha riu e explicou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não, não vou te guardar numa estante com várias outras pessoas boas, até porque essa estante não existe. Quando eu disse que eu guardo as pessoas boas me refiro à proteção que eu lhes dou. É uma proteção elétrica, extremamente positiva, que ajuda a afastar as energias negativas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas, pilha, carga elétrica positiva atrai carga elétrica negativa. E, para completar, afasta outras cargas positivas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não se preocupe, Vítor. Nós pensamos em tudo! As cargas positivas que protegem as pessoas boas são modificadas em laboratório, portanto, atraem as energias positivas e afastam as negativas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Carga modificada em laboratório? – estranhou Vítor.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       É, assim como vocês, lá na sua terra, modificam bactérias e outras coisas, aqui a gente consegue modificar cargas elétricas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor acreditou na história e se sentiu mais forte que de costume. Mas isso não é nenhuma novidade. Sabemos que cargas positivas ao nosso redor nos dão um ar de felicidade inexplicável, sem falar, mas já falando, que o impossível se torna possível.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Acho que você deve partir! – disse a pilha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você tem razão! Já está na hora de ir embora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A pilha olhou para o chão, fez beicinho, estava triste e quase chorou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não ligue, Vítor, eu sou uma pilha muito emotiva. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Tudo bem, eu entendo...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vamos, aperte a minha mão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor aceitou e apertou a mão da pilha levando um razoável choque, mas que deu para assustá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Aaaaaahhhh! – gritou na hora que levou o choque. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A pilha deu gargalhadas e mostrou para Vítor aquele velho truque do choque durante o aperto de mão que estava na palma da sua.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor também riu e de bem longe gritou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Tchau! Muito obrigado pelo campo de força!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não foi nada, Vítor. Continue sempre com grandes energias positivas! Adeus!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor, que já tinha entrado no apartamento contente, saiu dele muito mais contente ainda, devido ao negócio do “ar de felicidade inexplicável”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Como foi lá dentro? – quis saber a escada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Fantástico! Ganhei até presente!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       E onde está o presente?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Está comigo, ao meu redor!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Onde? Não estou vendo! – insistiu a escada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não se faça de tola. Você é a minha consciência, sabe de tudo o que acontece comigo e é a maior responsável por eu ter ganho esse presente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A escada não disse mais nada, só queria seu mérito reconhecido. Seguiram quietos para o 9º andar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1480695701371398420-8937943380804319818?l=umsaltoparaaeternidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/8937943380804319818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/8937943380804319818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umsaltoparaaeternidade.blogspot.com/2008/11/captulo-17.html' title='Capítulo 17'/><author><name>Eduardo Franciskolwisk</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08218200326693989966</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1480695701371398420.post-6273287213804575452</id><published>2008-11-10T22:51:00.001-02:00</published><updated>2008-11-10T22:53:35.320-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 18</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Fizeram todo o trajeto até 9º andar quietos. Notando que o ar estava mais quente que nos outros andares a escada quebrou, ou, no caso, derreteu, o gelo:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Está muito quente, Vítor! Veja, você está até suando.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Tem razão, – disse ele se abanando com as  mãos – está muito calor. Acho que vou entrar rapidinho no apartamento para, talvez, encontrar uma sala bem gostosa com ar condicionado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Está esperando o que? Entre logo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os segundos não conseguiriam marcar o tempo que Vítor levou para abrir a porta e entrar no apartamento devida a sua grande rapidez. Tampouco conseguiriam marcar o tempo que ele levou para se frustrar ao ver que ele havia entrado não em uma sala refrigerada, mas sim, num lugar seco e mais quente do que estava fora do apartamento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Minha nossa! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dizendo isso começou a andar pelo lugar para procurar água. Aquele lugar o tinha deixado com muita sede. Procurou durante um bom tempo e não encontrou a bendita água. Por isso, Vítor concluiu:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Estou em um deserto!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento, uma voz contestou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não, você não está em um deserto, você está no sertão. Eu sou o sertão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Sertão? Você é o sertão? Aquele que todo mundo reclama e diz que é um grande mal?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Sou eu mesmo, mas eu não faço mal por mal, faço porque eu tenho de fazer. É a minha função pôr nos lugares um clima seco. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       E o que você acha sobre as coisas que pensam de você?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não gosto quando alguém pensa em: sertão malvado, sertão assassino, sertão rude, sertão egoísta, sertão mesquinho, sertão imbecil e nem em sertão chato. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assustado Vítor perguntou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       As pessoas pensam tudo isso de você?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Pensam isso e muito mais coisas – respondeu o sertão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas pensam com razão, não concorda?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Concordo, mas eu gostaria que a maioria pensasse em: sertão agradável, sertão amado, sertão doce, sertão digno, sertão  compreensível e, acima de tudo, em sertão justo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Então, senhor sertão... você vai ficar só no gostaria...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você vê? Vê como a vida do sertão é dura?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vejo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Se você já percebeu que a vida aqui é dura, porque não vai embora agora? A porta está ali e você pode sair a hora que quiser.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Posso ir?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Pode, já falei tudo o que era necessário.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Está bem – e saiu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor não tinha entendido muita coisa do papo que tinha tido com o sertão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       É cada maluco que me aparece nesse prédio... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A escada, então, resolveu ajudar:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vítor, existem malucos que podem ser tão normais quanto você. Isso se você puder ser considerado uma pessoa normal...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Ei, não fale assim comigo!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas é a verdade: você não é lá muito normal!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Para o seu saber eu sou normal. É você quem me parece um ser tão diferente que... que...&lt;br /&gt;A escada riu e completou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vamos para o 10º andar. Você não tem o que reclamar de mim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor não disse nada. Diz o ditado que quem cala, consente. Assim, tomaram rumo para o andar superior. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1480695701371398420-6273287213804575452?l=umsaltoparaaeternidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/6273287213804575452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/6273287213804575452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umsaltoparaaeternidade.blogspot.com/2008/11/captulo-18.html' title='Capítulo 18'/><author><name>Eduardo Franciskolwisk</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08218200326693989966</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1480695701371398420.post-1722783898606382839</id><published>2008-11-10T22:47:00.001-02:00</published><updated>2008-11-10T22:49:19.882-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 19</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;À medida que iam se aproximando do 10º andar, eles começaram a escutar um som que muito se parecia com o “Parabéns pra você”. Não sabiam se era ou se não era. Mataram a dúvida quando já estavam em frente à porta do apartamento na qual Vítor deveria entrar. Era.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Acho que você tem uma festinha para ir hoje – disse a escada para Vítor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Que bom! Eu ainda estou com muita sede e é nessa festinha que eu vou matá-la - respondeu ele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       E quanto aos docinhos e ao maravilhoso bolo que te esperam?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Pode deixar, vou me empanturrar o máximo que eu conseguir – disse Vítor passando a mão pela barriga em um movimento circular, depois continuou – Não vou mais perder essa festinha! Vou entrar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao entrar Vítor percebeu que era o único convidado da festa, a música continuava e, ao contrário do que ele e a escada pensavam, não tinha nada para beber e muito menos para comer. Ele, então, resmungou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Que aniversário chato. O aniversariante deve ser um pé no saco.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De repente apareceu um palhaço! Um palhaço de verdade, com maquiagem, roupa, sapatos grandes e, o mais importante, com nariz de palhaço. Não esperou Vítor dizer nada, já foi logo gritando:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Feliz aniversário!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Quem? Eu? – quis saber Vítor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com aquele ar de graça que os palhaços têm, ele respondeu:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não! A minha avozinha!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor ficou pensando se aquilo era uma piada, se aquilo era para rir. Se  fosse, o tal palhaço podia se aposentar, porque não tinha a menor graça.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Claro que é com você! Eu fui escolhido, por ser um palhaço, para animar a sua festinha de 10º andar. Eu sabia que o aniversariante era feio, mas não tanto! – e desatou a rir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor não sabia onde estava a graça daquele palhaço. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eta, palhaço chato! – pensava.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você conhece a piada do não nem eu? – perguntou o palhaço.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Conheço, e é muito chata – disse Vítor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você tem que responder que não, se você fala que conhece estraga a piada. Você conhece a piada do não nem eu?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Conheço e não vou dizer que não.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Droga, Vítor, essa era a minha melhor piada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você é um palhaço sem graça, já te disseram isso?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não... você é o primeiro. A verdade é que você é o meu primeiro cliente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Sério mesmo? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       É.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Então, uma dica de amigo: desista desse negócio, você não é nada engraçado.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;br /&gt;–       Mas eu sou uma pessoa alegre.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Ser alegre não é o mesmo que ser engraçado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vítor, o que eu quero é fazer as pessoas sorrirem todo o tempo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas você é sem graça, o máximo que vai fazer com elas é irritá-las, assim como você fez comigo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O palhaço olhou Vítor e disse:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Sabe porque eu não vou ficar triste com o que você me acabou de dizer? Porque eu nunca perco o tom da alegria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Impossível...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que é impossível?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       É impossível alguém ser alegre 24 horas durante 7 dias por semana.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Vítor, a lição que você tem que aprender nesse seu aniversário de 10º andar é: cada pessoa segue a sua vida de acordo com o seu jeito. Se eu digo que sou alegre todo o tempo, por que duvidar? Se você diz que coisas são impossíveis na sua vida, por que eu duvidaria? Cada pessoa sabe o que pode e o que não pode. Cada um conhece os seus limites.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você é sem graça! Acha que pode ser engraçado, mas na verdade não pode. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Se eu acho que posso, um dia eu chego lá.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor não disse nada. Nesse momento a música que ainda tocava parou e ele se retirou do apartamento.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1480695701371398420-1722783898606382839?l=umsaltoparaaeternidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/1722783898606382839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/1722783898606382839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umsaltoparaaeternidade.blogspot.com/2008/11/captulo-19.html' title='Capítulo 19'/><author><name>Eduardo Franciskolwisk</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08218200326693989966</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1480695701371398420.post-7817595552485871548</id><published>2008-11-10T22:43:00.001-02:00</published><updated>2008-11-10T22:50:02.505-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 20</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;– Estou começando a ficar com sono! – reclamou Vítor para a escada enquanto subiam para o 11º andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ora, Vítor, não faça corpo mole, este é um dos últimos andares que existe nesse prédio. Depois de visitar o último, poderemos descer tranqüilamente, sem ter que entrar em nenhum apartamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Olhe, escada, chegamos – e depois de falar isso Vítor bocejou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ver a porta do apartamento daquele andar, Vítor se dirigiu a ela e a abriu, mas antes revelou que realmente estava com sono soltando mais dois bocejos caprichados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interior daquele apartamento era como o de uma casa normal, tinha mobília como numa casa normal. Vítor teve até a impressão de que ali vivia o único ser humano do prédio inteirinho, digo, o único ser humano que tinha os parafusos apertados devidamente nos lugares corretos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ninguém aparecia para recebê-lo, decidiu soltar a voz com o famoso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Oh, de casa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da voz sonolenta, esse chamado não falhou. Pouco tempo depois apareceu o dono de tanta normalidade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Boa noite! Ops, quero dizer, bom dia! – e bocejou identicamente igual e sem nenhuma diferença que Vítor. Este, como de costume, perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você é um coelho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu estou com sono, tenho mesmo que responder?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Tem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pareciam duas múmias falando. Também, um estava quase fechando os olhos, o outro tinha acabado de abriu os seus. Ambos bocejavam. Só podia dar nessa cena mesmo. O coelhinho, com muito esforço, analisou-se para responder a pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Deixa-me ver: olhando para meus pêlos eu sou branquinho, olhando a minha traseira vejo meu rabinho de coelho, vendo meu reflexo no espelho vejo meus grandes dentes, se ponho as patas nas minhas orelhinhas, sinto que elas são enormes. É, eu sou um coelho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E desde quando os coelhos são grandes? – e Vítor bocejou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta do coelho foi bocejada também. Todos nós sabemos que o bocejo é contagioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Desde quando eu nasci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você sempre tem sono assim ou só agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você trabalha, coelho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Por que não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu estou com sono, tenho mesmo que responder?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Tem! Eu estou com sono e estou falando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Deixa-me ver: eu fico em casa o dia inteiro, fico o tempo todo deitado na minha cama com os olhos fechados. Não, eu não trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vítor percebeu que o coelho era lerdo de pensamento. Entendeu que quando as perguntas não exigiam raciocínio, ele as respondia rápido, porém, com pouquíssimas palavras. Quando exigiam, o cérebro do coelho quase fundia para respondê-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Se você dorme o dia inteiro, como consegue dinheiro para comprar todos esses móveis bonitos que você tem em casa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você pode repetir devagarzinho a pergunta para que eu possa entender?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vítor repetiu a pergunta e com muita dificuldade, o coelho conseguiu entendê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– O meu pai é muito rico! Ele trabalha durante a Páscoa de coelhinho da Páscoa. Trabalha pouco, mas ganha muito dinheiro porque é um negócio lucrativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Imagino...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– A profissão de coelhinho da Páscoa passa de pai para filho. Quando meu pai estiver com muito sono, a ponto de não conseguir mais se levantar para nada, eu tomo o lugar dele. E aí eu tenho que sofrer: uma noite sem dormir por ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vítor naquele momento achou que o coelho fosse morrer, apesar de falar muito devagar, por causa do sono, ele tinha pensado demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é que Vítor estava certo? De repente o coelho se esborracha no chão. Não fosse o “Boa Noite” dado pouco tempo antes, Vítor teria achado que havia matado o coelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não sinto mais sono. Que coisa esquisita! Devia ser esse coelho que me enfeitiçava... como ele dormiu, vou-me embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cantando uma canção de ninar, para que o coelho não acordasse, ele foi saindo do apartamento. A canção era assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Dorme, coelho,&lt;br /&gt;Para assim não pensar&lt;br /&gt;De dia ou de noite&lt;br /&gt;Não gosta de trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já se indo para o 12º andar, o último, a escada perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Comentários, Vítor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Tenho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Qual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sortudo esse coelho. Só dorme e é rico!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a escada jogou a uma frase que fez Vítor refletir sobre a vida do coelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Mas quem só dorme não faz nada direito.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1480695701371398420-7817595552485871548?l=umsaltoparaaeternidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/7817595552485871548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/7817595552485871548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umsaltoparaaeternidade.blogspot.com/2008/11/captulo-20.html' title='Capítulo 20'/><author><name>Eduardo Franciskolwisk</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08218200326693989966</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1480695701371398420.post-5994814135949542307</id><published>2008-11-10T22:38:00.001-02:00</published><updated>2008-11-10T22:43:14.891-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 21</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No último andar, o 12º, a escada disse para Vítor:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Enfim, estamos no último andar deste prédio. Depois da sua visita a ele, basta darmos meia volta para retornarmos ao chão firme, lá embaixo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não tenha tanta pressa em sair daqui, escada. Entrarei no apartamento deste andar como se ele fosse igual aos outros, e não como se ele fosse o “último”. Apesar de ficar muito ansioso ao estar terminando de fazer algo, tentarei me controlar. A ansiedade de estar chegando no final não me deixa pensar e muito menos agir da forma adequada. E, por isso, não quero que isso aconteça. Só quero fazer o que é certo, fazer o que eu preciso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Tudo bem, Vítor. A porta está ali e é igual às outras. Só falta você entrar. Tudo tende a ser igual neste andar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O apartamento era muito parecido com o anterior. Era normal. Vítor desconfiou, pensou que naquele prédio nada poderia ser normal porque sempre haveria algo para o surpreender.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E o surpreendeu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estranhou quando uma mulher entrou na sala na qual estava e disse:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Seja bem-vindo. Sinta-se em casa, afinal, temos muito o que conversar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Muito obrigado, a senhora é muito gentil. – falou Vítor se sentando em um sofá.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A mulher era uma senhora, não era muito velha e nem muito nova. Logo convidou Vítor para um café na cozinha, coisa que ele aceitou imediatamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já sentados na mesa, ela tentou fazer com que Vítor falasse alguma coisa, queria conhecê-lo melhor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       De onde você é? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Sou aqui da cidade mesmo – respondeu ele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       E o que te traz a minha casa? Posso ter ajudar em algo? – disse ela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não... estou aqui só porque... porque...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Porque... – repetiu a mulher.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Sabe que eu nem sei porque eu estou aqui? A única coisa que sei é que para poder descer até a portaria eu preciso subir até o último andar, que é este, fazendo uma visitinha em cada apartamento que eu encontrar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A mulher pegou nas mãos de Vítor falando:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Pouca gente sabe. Poucos têm a honra de conhecer o meu segredo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu terei esta honra?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Sim, a terá.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Então me diga logo, qual é o seu segredo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu vejo coisas que você não vê.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor se assustou, mas estava muito curioso e não pode deixar de perguntar:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Como assim?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você, caro homem, você se lembra somente um pouco de seu passado e não conhece o seu presente perfeitamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Fala logo. O que você vê que eu não vejo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu vejo o passado, o presente e o futuro de todas as pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor arregalou os olhos e tirou rapidamente suas mãos que estavam sendo seguradas pelas dela. Ela riu e explicou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Calma, não tenha medo. Eu não vejo através das mãos das pessoas. Eu vejo o que eu quero, na hora que eu quero ver.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que você é? Uma Bruxa?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não. Eu apenas sou um ser humano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A mulher segurou novamente nas mãos de Vítor, dessa vez segurou com muita força para que ele não conseguisse soltar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Tenho algumas explicações para você, quer ouvi-las? – perguntou a mulher.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       O que você quer me explicar?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu sei o motivo que te trouxe até aqui, neste prédio, no meu apartamento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu não me recordo do motivo. Vamos! Lembre-me do motivo que me trouxe até a sua casa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Eu vou dizer, mas você tem que ir falando se lembra ou não do que eu explicar. Combinado?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor disse que sim com a cabeça e ela começou a contar tudo o que sabia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você, tempos atrás, tinha uma amante e o nome dela era Débora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Estou me lembrando disso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Depois que ela morreu, você decidiu viver feliz com Giovana, sua mulher...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Certo...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Porém, ela cometeu o mesmo crime que você. A traição. Você não gostou de ser enganado e saiu de casa rumo a esse velho e abandonado prédio, onde brincava na sua infância.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Nossa. Isso tudo o que você me esta dizendo é verdade. Mas eu não consigo me lembrar do resto...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Sabe o que você veio fazer nesse prédio, Vítor?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não, eu já falei que não me lembro... O que eu vim fazer aqui?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Você veio se matar! Você subiu até aqui para saltar do último andar. Este é o último andar, a sua linha final.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor Ficou muito sério, mas se lembrou de tudo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Agora eu me lembro. Só subi aqui para cometer suicídio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ambos ficaram em silêncio até que Vítor quis saber: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Por que a cada andar que eu subia eu tinha de entrar em um apartamento? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Para que a sua queda fosse tranqüila, sua subida teria de ser cheia de obstáculos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Mas o que eram aqueles seres com os quais eu conversava nos apartamentos? – insistiu Vítor nas explicações. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Aquilo? – falou a mulher – Aquilo era tudo coisas da sua cabeça, da sua imaginação, da sua consciência tentando fazer com que você esquecesse a realidade. Tentando fazer com que você mudasse de idéia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor estava pensativo, escutando o que a mulher tinha a dizer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Como eu sou uma mulher bondosa, decidi te contar tudo e ajudar você a realizar o seu objetivo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com uma das mãos, puxou uma corda. Essa ação fez abrir as cortinas do apartamento que escondiam uma enorme janela aberta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;–       Não se iluda com as fantasias da sua cabeça. Aqui está a janela que vai te dar o que você veio buscar. O mundo e as pessoas que nele vivem não merece ter uma pessoa como você. Abandone-os mostrando a eles que você segue os seus desejos até conquistá-los totalmente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítor se levantou da mesa e seguiu na direção da janela.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1480695701371398420-5994814135949542307?l=umsaltoparaaeternidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/5994814135949542307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/5994814135949542307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umsaltoparaaeternidade.blogspot.com/2008/11/captulo-21.html' title='Capítulo 21'/><author><name>Eduardo Franciskolwisk</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08218200326693989966</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1480695701371398420.post-7789536458781778711</id><published>2008-11-10T22:33:00.002-02:00</published><updated>2008-11-10T22:37:01.466-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 22</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Vítor deu poucos passos para conseguir chegar até o grande buraco na parede. Não fez muito esforço físico para subir e ficar de pé sobre a janela. Já não se apoiava em nada, suas mãos estavam livres, seu corpo estava livre e tinha a escolha de pular ou não pular.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O vento batia contra o corpo de Vítor de tal forma que dava a impressão de que ele queria impedir a ação de Vítor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Será que a consciência de Vítor, depois de tudo o que aconteceu, ainda estava pesada?&lt;br /&gt;Que pena! Que pena que ao fazermos algo, nunca lembramos da nossa consciência, não lembramos se ela vai pesar mais ou se vai pesar menos. Só falamos com ela quando nos é conveniente.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É quando nós perdemos o contato com o mundo real que nossa consciência fala conosco. Antes disso, ela só fica vendo o que fazemos. E ela sabe de tudo!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nem a escada conseguia falar com Vítor. Nem Vítor conseguia falar com a escada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Então, Vítor saltou por aquela janela, dando início, assim, ao começo de um final que nunca terá fim.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1480695701371398420-7789536458781778711?l=umsaltoparaaeternidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/7789536458781778711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1480695701371398420/posts/default/7789536458781778711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umsaltoparaaeternidade.blogspot.com/2008/11/captulo-22.html' title='Capítulo 22'/><author><name>Eduardo Franciskolwisk</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08218200326693989966</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
